Uma epidemia chamada Alice
por Sarah Maluf
Ele é um cineasta que sabe como ninguém transformar realidade em mundos mágicos, psicodélicos e, muitas vezes, sombrios. A história é um grande clássico da literatura infantil, já considerada imprópria para crianças e até fruto da imaginação de um pedófilo. O encontro de Tim Burton com a obra de Lewis Carroll só poderia então render uma obra prima do cinema, certo? Errado. Quem espera encontrar a melhor criação do diretor, ou uma visão completamente deturpada da versão original (como aconteceu em “A Fantástica Fábrica de Chocolate”), é melhor se preparar. “Alice” de Tim Burton é bom e ponto. Não chega nem perto do que poderia ser. Uma historinha rápida, mal contada, com os mesmos (ótimos, é verdade) atores de sempre e com uma plástica pouco elaborada. Parece até que o diretor ficou com preguiça de colocar a cabeça para funcionar. Claro que a produção carrega a excelente marca de Burton, mas não passa disso. Os diálogos elaborados de Carroll e até os momentos mais marcantes da obra passam batido. Ao sair do cinema, fica claro que grande parte da frustração quase instantânea é provocada pelo enorme apelo da mídia. Não se falava em outra coisa, não se vendia outra coisa. Tudo o que era possível foi feito para impregnar a febre Alice. Mas, desta vez, nem o santo 3D salva… E quem quiser que conte outra!

