Susana Vieira e a primeira pessoa do singular
por Pedro Venceslau
Quem não tem pelo menos um amigo “egotriper” que jogue o primeiro espelho. Egotriper é aquele sujeito que não aguenta permanecer dez minutos em um diálogo sem contar pelo menos uma passagem pessoal mais interessante, mais ousada ou mais reluzente que a do interlocutor. Os mais discretos ainda inventam artimanhas mil para falar bem de si sem dar bandeira. Um exemplo. Seu amigo Astolfo (nome fictício) está contando um causo que envolve alguém importante da alta sociedade. Ele precisa muito dizer (mas sem falar) que é íntimo do sujeito. Existem duas opções. A primeira, mais descarada, é dizer na cara dura: “…aí o Senador – que é um querido, um fofo, um super amigo que me adora – foi lá e disse…”. A outra, menos escandalosa, é assim: “Então o Senador virou e disse: Astolfinho, o negócio é o seguinte…”. Não raro, o Senador em questão mal conhece o Astolfo. Ou conhece apenas o suficiente para responder “ah, sim , sei quem é..” se algum dia for confrontado com tamanha intimidade. Alguns jornalistas também não resistem a incontrolável vontade de sem meter no meio da história e roubar a cena. Nesses casos, é comum ler coisas do tipo “Fulano então virou-se para este repórter e, às gargalhadas , disse…”. Simples assim. O acréscimo das palavras “este repórter” e “às gargalhadas” deixa claro que o autor das mal traçadas linhas é unha-e-cutícula com o entrevistado. Ou seja: é um cara cool, descolado e muito bem relacionado. Dizem especialistas que ego é o centro da consciência inferior (diferente do Eu, que é centro superior da consciência). Quando o ego se submete ao id, aí danou-se. Ele torna-se imoral e destrutivo. E quando se submete ao superego, então, enlouquece de desespero. Se criassem um país do ego, ele se chamaria “Singular”. E Susana Vieira certamente seria a primeira pessoa a baixar por lá. Seria ela a primeira pessoa do singular em pessoa. A revista “Tititi” desta semana traz uma entrevista com a atriz. O título fala por si. “As divas não têm idade”. Não, ela não está falando Marilyn Monroe, Gisele Bundchen ou Salete Campari. A diva a que ela se refere é ela mesma, a primeira pessoa em pessoa, Na entrevista, Susana vai ainda mais longe. Pergunta: “Como encara o fato de ser uma pessoa tão polêmica?”. Resposta: “Sou uma mulher do povo e cheguei aqui com muita humildade”. Tipo assim: aqui onde? Na “Tititi”? No Projac? No salão do Julinho do Carmo? Segue a entrevista. Pegunta: “E o público mais jovem também a assedia?”. Resposta: “Teve um final de semana que vários jovens me cumprimentaram na rua. Estou conquistando esse público agora. Sou abençoada por ver tanta gente diferente que admira meu trabalho”. Por gente diferente leia-se Marcelo Silva, o ex-policial que lutava com a sombra? Ou Sandro Pedroso, o mágico de Oz? Por essas e por outras que Pelé é o cara. Ele descobriu a fórmula perfeita para lidar com isso. Abandou de vez a primeira pessoa do singular. Mais que isso. Se dividiu em dois. Para falar (bem) do Pelé sem constrangimento, ele chama o Edson. E vice-versa.


adorei!!!
otero
11 dez 09 em 13:57
Ela é ridícula de feia e nojenta…
nem se fosse aultima mulher do mundo eu pegava…
ela envergonha a imagem das mulheres…
juca
12 dez 09 em 0:40
Tenho sérias dúvidas que suzaninha tá com alzheimer.
Rafael
18 dez 09 em 23:42
Ótimo post!
Sugiro uma coluna com este nome com uma celebridade por semana.
Infelizmente, às vezes penso que a minha cota de 1 (UM) amigo egotriper já foi superada há muito! Triste.
Marcio Claesen
22 dez 09 em 13:51