Salto alto
por Zeca Gutierres
Nas últimas semanas visitei umas casas de personagens de revista e fiquei com vontade de comentar minhas impressões de vidas além dos altos muros de São Paulo. Claro, sem dar nomes às pessoas. O apartamento de “A”, que ela divide com os pais, é tão barroco que tem até um santuário na sala. O prédio? Como se Roma Antiga tivesse trombado com a “Nova Moema”. “B” mora em uma casa no Jardim Europa com tanta obra de arte que parece o Pompidou. Quando se vê de perto, percebemos que ela é uma pessoa que sabe tratar os empregados e que olha nos olhos de verdade. “C” é fina e mãe devotada. O apartamento dela tem vista para um lindo bosque e com o skyline de São Paulo ao fundo. “B” tem uma filha grunge – nada mais correto quando se tem uma mãe perua. “A” diz que vai morar sozinha e assim deixa claro que a decoração onde mora é dos pais. “C” ainda está decorando o novo apartamento e pede conselhos de um dos melhores, e modernos, arquitetos da cidade. “B” fez tudo sozinha, e projetou até uma academia para malhar com o maridão, por quem parece ser superapaixonada. “A” manda a visita ficar à vontade. “B” oferece bolo de chocolate. “C” já tem tudo na mesa te esperando. “B” se veste como se o mundo fosse uma grande festa. “A” faz a ponte entre o rico e o moderno. “B” é econômica e discreta.

