Rebolation
por Cacá Di Guglielmo

A disco music é uma das vertentes mais tradicionais da dance music, e uma das poucas que não perde fôlego. Há algum tempo, produtores apostam nessa linha disco/future/funk, que espanja grooves e vocais. Tiger & Woods é um deles. O nome é uma brincadeira em cima do famoso jogador de golfe e veio um ano antes dele ganhar as manchetes por trair a mulher e ser descoberto. Donos do selo Editainment, que tem artistas com nomes curiosos e semelhante ao deles como Cleo & Patra e Pop & Eye (que eles afirmam não ter nada a ver com isso), lançaram em julho seu primeiro álbum de estúdio, “Trough The Green”, que é um apanhado de coisas que já haviam feito nos últimos anos, mais algumas músicas novas. O disco é uma viagem musical que te prende da primeira à ultima música (pelo menos no meu caso). Grooves, samples e os vocais da enigmática Em (esse é o nome dela) são perfeitamente encaixados em bases de disco music, que formam loops deliciosos pra não deixar ninguém parado. Já entrou na minha lista dos melhores do ano. Lest`s groove!
Spray SP
Dica pros leitores que não são de São Paulo. Pra vocês visitarem as galerias de street art da cidade. Começamos com a Matilha Cultural, no Centro, que tem ótima programação de exposições e mostras de cinema. A filosofia é provocar debates políticos em questões ambientais e de direitos humanos, mas com pegada pop. O espaço é lindo e já vale a visita (www.matilhacultural.com.br). Seguimos com a Zíper Galeria, nos Jardins, que recentemente expôs obras do artista plástico James Kudo e do fotógrafo Felipe Morozini. A Zíper (www.zippergaleria.com.br) é focada em novos artistas e é comandada por Fabio Cimino e Danilo Beltran. O prédio é obra do arquiteto Marcelo Rosenbaum. E vamos em frente com a Choque Cultural, em Pinheiros, top galeria de São Paulo. Concebida pelo curador Baixo Ribeiro, a Choque (www.choquecultural.com.br) vende o sonho da arte street brasileira pro mundo. Até 23 de dezembro tem exposição com pinturas do artista Jaca, que cria personagens ótimos. E pra fechar: a Urban Arts, nos Jardins, que vende jovens artistas em sede física e pela internet. É uma criação da dupla André Diniz e Camila Espinoza (ela mesma, a top dos 90). Tem opção pra todos os bolsos, com ilustrações a partir de R$ 150. O espaço físico do Urban Arts, no começo da Oscar Freire, é ótimo, e tem sempre exposições animadas com coquetéis por lá (www.urbanarts.com.br). Ah, uma dica legal pra saber tudo sobre arte, não só de São Paulo, é o site www.mapadasartes.com.br, do jornalista Celso Fiovarante. Ele já foi crítico de arte da “Folha de S.Paulo” e dá boas dicas!

por Jaca

por James Kudo
Na casa dos patrícios
por Sarah Maluf
Terra do vinho do porto e dos fados, Portugal é também especialista em receber mochileiros. Segundo ranking anual do site Hostelworld, os três melhores hostels do mundo ficam na capital do país, Lisboa. Em primeiro lugar na lista está o Travellers House. Fundado por viajantes experientes, está localizado em um prédio de 250 anos, bem no coração da cidade. Em segundo está o Lisbon Lounge Hostel, primeiro hostel de Lisboa, criado em 2005. É um dos mais procurados. Pequeno e aconchegante, fica na parte baixa da cidade e oferece, além de passeios de bike ou a pé, jantares tipicamente português. Para quem quer um pouco mais de agitação, o Living Lounge Hostel (dos mesmos donos do Lisbon Lounge Hostel), em terceiro no ranking deste ano, tem espaço dedicado para festas e quartos decorados por artistas locais. Vai que o dinheiro está curto.

Booooop!
Cat spanking
O Costureiro
Hoje (31/10) foi o último dia em Portugal, mas bem que a exposição podia vir pro Brasil. O Costureiro, do paulistano Zarella Neto, ficou erm cartaz na galeria Colorida, em Lisboa. Do mercado publicitário, o fotógrafo fez sua primeira individual, e logo fora do Brasil (www.colorida.pt). Nas fotos, o real, o absurdo, o profano e o divino. No currículo dele, dois Leões de Bronze no Festival de Cannes. Saiba mais de Zarella aqui.



Cauby respira aliviado com morte de Kadafi
por Pedro Venceslau
É impressão minha ou a versão jovem do Kadafi é a cara do ator Marcos Pasquim? Reparem só. O que não há como negar é que a versão terceira idade do ditador lembra, e muito, o Cauby Peixoto. Com todo respeito. E a Globo está furiosa. Agora que todo mundo pergunta quem matou Kadafi, ninguém mais está muito preocupado com o assassino do Salomão Ayalla. Né? Mudando de assunto. Li no IG: “Dilma avalia futuro de Orlando”. Parece que “Mãe Dinah” e o Pai Robério de Ogum também estão nessa vibe. Para finalizar. Depois da manifestação dos aeroviários em Campinas, os ativistas “Viracopos”…

Questão de diversidade
entrevista com André Fischer
Se o Brasil tem hoje uma comunidade gay engajada, parte desse mérito deve ir para André Fischer, que desde os anos 90 embala a vida dos paulistanos com o festival Mix Brasil. Pelo festival já passaram incontáveis filmes e visitantes que ajudaram a tornar o tema sexualidade menos “tabu” em terras brazilis. E agora que o Mix Brasil volta para mais uma edição, tendo João Federice como co-produtor, a gente faz esta entrevista com André. Ah, e confira a programação clicando aqui.
Como e quando surgiu a ideia do Festival Mix Brasil? “Em 1993 fui convidado pelo Karim Aïnouz (diretor dos filmes Madame Satã, Céu de Sueli), que na época era diretor do Festival de Cinema Gay de Nova York, para montar uma seleção de curtas brasileiros de temática gay. Como não havia uma produção na época, compilei o pouco que havia sido feito antes e chamei vários amigos para fazerem vídeos novos sobre o tema. Como a repercussão foi grande, decidimos trazer o evento para cá. No ano seguinte já havia uma produção local e dois anos depois já éramos bem maiores do que o próprio Festival de Nova York… O Mundo Mix surgiu como a loja do Festival no MIS no segundo ano do evento, que depois rodou o Brasil com a turnê do festival. Para vender o que sobrou e mais algumas coisas de estilistas e designers amigos fizemos um mercadinho em uma garagem da Vila Madalena. Foi um sucesso e no mês seguinte resolvemos fazer uma edição maior, com mais marcas no estacionamento abandonado do Cine Elétrico, no que hoje é o coração do Baixo Augusta. Depois disso é história…”

(cena do filme Augusta)
Como foi criar um evento sobre sexualidade, e com temática homo, numa época em que gays pouco saiam do armário? “Na verdade é sobre a diversidade sexual, essa confusão existia realmente no começo. Mas sempre foi um festival focado em mostrar experiências e mofos de vida distintos em vários lugares do mundo. Isso dá uma perspectiva bem maior da realidade para quem assiste e , no caso de gays e lésbicas, um vislumbre de que era possível se assumir e viver melhor.”
Quais os filmes mais legais que vocês já exibiram no festival? “Nesses primeiros 18 anos foram quase 4 mil filmes e vídeos de mais de 60 países. Difícil escolher os mais bacanas. Exibimos todos do Bruce LaBruce (entre eles No Skin Off My Ass, LA Zombie, Hustler White), C.R.A.Z.Y, Fucking Amal (sobre adolescentes suecas in love), vencedor do Festival de Berlim, XXY, Contracorrente…”

(cena do filme Soi Cumbio)
E as atrações que vieram pro Brasil, entre cineastas e performers? Quais você destaca? “O diretor Sandy Dubowski apresentou em uma sinagoga o documentário sobre judeus ortodoxos gays Tremendo diante de Deus, a atriz Jennifer Tilly (em 1998, quando fazia enorme sucesso em Hollywood ), em 2008 fizemos uma superexposição sobre os Dzi Croquetes com a presença de todos os remanescentes, antes do revival do grupo causado pelo documentário, François Sagat (astro pornô cult que ano passado apresentou seus filmes “sérios”). O casal Rob Epstein e Jeffrey Friedman,vencedores do Oscar, apresentaram o emocionante Parágrafo 175. E, claro, o próprio Bruce LaBruce.
O que mudou no festival? “Começamos exibindo apenas curtas e com uma pegada mais indie e atualmente exibimos muitos longas, alguns com orientação mais comercial. E no começo apenas o fato de reunir o público gay fora do gueto em torno de um evento cultural em espaços institucionais já era um ato transgressor. Nesses anos fomos avançando e aprofundando as discussões. O público amadureceu e exigiu mais. Além disso, a produção brasileira se profissionalizou e temos um número bem consistente de filmes de alto padrão de qualidade, sobretudo curtas, discutindo a questão da diversidade sexual.”

(cena do filme Teus Olhos Meus)
O que mudou nos filmes gays? “No começo dos anos 90 os filmes falavam sobre sair do armário, ser aceito e o drama da aids. Hoje a maioria já tem personagens inseridos na sociedade e tratam de questões pessoais como relacionamentos, separações ou vida em família. Com o passar dos anos vão mudando os “temas quentes”. Este ano é a sexualidade na terceira idade e os ftm (homens transexuais, que nasceram mulheres), que deixaram de ser mostrados como raridades em documentários e já são personagens de filmes de ficção.
Quais as principais atrações desta nova edição? “A maior novidade este ano é que o festival deixa de ser um evento só de cinema e incorpora de vez outras manifestações artísticas. Além dos quase 130 filmes, teremos 13 espetáculos teatrais, 6 shows de música, exposições e até um fashionmob. Vamos ocupar o Centro Cultural São Paulo inteirinho, além das salas tradicionais do Festival (Espaço Unibanco, CineSEsc, MIS, Olido etc) e sessões na rua. Mas o cinema continua sendo o eixo central. Entre os meus favoritos estão o alemão Romeus, o documentário argentino Cumbio e duas comédias sobre políticos gays, a sueca Quatro Anos Mais e a italiana Diferente De Quem?, e filmes não-gays como a incrível comédia mórbida americana Kill The Habit. Ah, e a Mostra Competitiva Brasil, com a melhor seleção de curtas nacionais que já tivemos.

(cena do filme Vamos Fazer um Brinde)
