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O que é isso, companheira Helena?
por Pedro Venceslau

mau humorPobre Helena. Depois de levar um sonoro tabefe na cara da ex de seu marido e comer o alface com rúcula que o diabo amassou, a lacrimosa personagem de Taís Araújo em “Viver a Vida” passou a ser perseguida pela… CUT. Isso mesmo. Helena não é contra a jornada de 40 horas semanais, nunca se posicionou a respeito do Salário Mínimo e jamais furou uma greve da categoria, no caso, a de modelo profissional. Um parêntese necessário: apesar de passar o dia chorando ou no colo da mãe na pousada da família, em Búzios, a moça é uma bem-sucedida modelo. Com carteira assinada e tudo. Mas voltemos ao que interessa. Maria Júlia Nogueira, secretária nacional de Combate ao Racismo da central obrera, está r-e-v-o-l-t-a-d-a. Diz ela, em artigo publicado no portal da entidade: “Globo humilha negros no mês da consciência negra”. Maria Julia é tão politicamente correta que me dá medo usar certas palavras. Para evitar confusão, o certo é cravar que a coisa está afro-descendente para Helena. Assim mesmo, tudo em negrit… (digo, em pequeno afro-descendente). Para quem não se lembra, a mesma Maria reclamou adoidado de outra novela, “A Favorita”. Motivo: “A única família rica da história da televisão, na novela ‘A Favorita’, foi retratada de maneira tão negativa que chegava a assustar”. Ainda nas palavras de Julia, “o reforço da ideia da mulher negra como permissiva e disponível, que levaria os homens (brancos) a cometerem loucuras e a extrema humilhação de Helena na cena faz acreditar que o autor e a Globo resolveram punir a personagem, colocando-a no “seu lugar”, ou seja, de uma pessoa inferior que merece ser surrada a critério daqueles que, efetivamente, são cidadãos plenos de direitos”. Tradução: Manoel Carlos virou o capitão do mato e transformou o Leblon em sua senzala. Fosse eu militante da causa, reclamaria também, mas por outro motivo. Helena, de fato, não faz jus à linhagem da personagem mais cultuada por Maneco. Ela é de longe a Helena mais mala da história da dramaturgia brasileira. A verdadeira Helena da trama é a Lília Cabral.

chororô

Apesar de ser branca, essa, sim, dá um show. Dizem nos bastidores da Globo (segundo Gabriela Germano, do jornal carioca ‘O Dia’) que até Roberto Carlos (ele mesmo, o Rei) teria reclamado do dramalhão permanente de Taís Araújo. Vale lembrar que é uma música dele, “A mulher que eu amo”, que embala a choradeira. A propósito: alguém aí já reparou que os médicos da novela vivem lanchando? E como são chatinhos aqueles doutores, hein? Pudera. Maneco parece estar pagando promessa. Nunca antes na história da dramaturgia brazuca um folhetim fez tanto merchandising social. Antes de acabar o “Jornal Nacional” a gente se pergunta qual vai ser a tragédia do dia. A Globo montou uma Central Inferno Astral de Jornalismo para recrutar os personagens do depoimento final. Não gosto nem de pensar em como funciona o processo de seleção: “Sua história é ótima, mas não vamos usá-la. É que já temos muitos cadeirantes, cegos e surdos. Procuramos alguém que também seja torcedor do Fluminense”.

escrito por Guti

novembro 25, 2009 às 5:04 pm

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3 omentários

3 Comentários para 'O que é isso, companheira Helena?
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  1. Sensacional!

    joao

    26 nov 09 em 9:25

  2. Leu meus pensamentos! E o pior é que a única parte da noval mais alegre é a dos médicos malas de estetoscópio no pescoço(pq acham que é assim que médico anda). Adorei!
    Bjo, Anna

    Anna Bonanomi

    1 dez 09 em 13:55

  3. Ótimo comentário. Um outro sobre Caras e Bocas por favor!

    apasolini

    1 dez 09 em 19:55

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