Neurônios não malham
por Zeca Gutierres
Razões é o que não faltam para malhar o corpo, mas o que chama a atenção é o modo como as pessoas malham. Tem um cara que, entre um supino e outro, parece que vai entrar em processo de orgasmo. Um outro, que levanta 100 quilos mas não corre 100 metros na esteira, faz um barulho de apito de trem entre uma “forçada” e outra. Um fortão nem desconfia que faz uma cara horrorosa quando faz força – e olha que espelho é o que não falta nas academias. Uma mulher mais velha puxa papo com todo mundo, principalmente com os mais “franguinhos”… Na minha academia são dois treinadores que não treinam ninguém. Passam mais tempo penteando os cabelos e rindo com a galera. Um aluno malha tanto que fica cada vez mais gordo – acho que a academia serve de pretexto para comer à vontade depois… As atendentes, como sempre, te olham como se você não fosse durar muito na academia, enquanto que o personal evita o máximo o contato já pensando: “Esse aí vai dar trabalho”. As gostosas querem ser mais gostosas e os machões querem ser mais machões, mas quando se misturam rola um papo tão estranho que broxaria até surdo-mudo… Tem gente que corre na esteira e tem gente que desfila, como é o caso de alguns gays – ah, deve haver alguma Lady Gaga por debaixo daquele iPod. As velhinhas nunca vão deixar de pedir ajuda para ligar a esteira e as músicas só pioram com o tempo, igual a boate gay. E eu, supino leve, perco tanto tempo com pensamentos como este que acabo com torcicolo…

