Meio de campo
por Zeca Gutierres
O país que criou o futebol criou também o rádio. E foi o primeiro a difundir os jogos com aqueles homens tagarelando feito loucos para deixar o ouvinte em cima do lance. Foi em Cambridge, Inglaterra, que um certo James Clerck Maxwell trouxe, mesmo que teoricamente, o conceito de ondas de rádio. Isso lá em 1863. Mas foi só em 1887 que o rádio saiu do papel e ganhou o espaço por meio do alemão Henrich Rudolph Hertz (1857-1894). Londres lançou a primeira companhia de rádio, no final do século 19. No Brasil foi um padre-cientista, Landell de Moura, que colocou a invenção na roda: em 1990 ele conseguiu uma patente da invenção por aqui… Só que a primeira transmissão radiofônica oficial no Brasil aconteceu durante o dircurso do presidente Epitácio Pessoa, no Rio, em comemoração do centenário da Independência do Brasil, no dia 7 de setembro de 1922. Mas bom de locução mesmo foram os Estados Unidos com sua “Era do Rádio”: de quatro emissoras em 1921, eles passaram a ter 382 no final de 1922. E como antigamente não havia televisão, jogo de futebol era “assistido” pelo rádio. Oduvaldo Cozzi foi um dos locutores conhecidos do Brasil. Rádio Nacional e a Rádio Globo eram as campeãs, ambas do Rio de Janeiro. Ary Barroso é outro nome que os vovôs devem se lembrar. Descobri também que outro grande locutor da história foi Pedro Luiz, que narrou o primeiro tempo do jogo Brasil X Suécia na final da Copa de 1958. Outros nomes? João Saldanha, Geraldo José de Almeida (que dizem ser o “pai” do Galvão Bueno) e por aí vai… É interessante perceber que o método de narrar pelo rádio não mudou muito nas últimas décadas, com chavões engraçados como a puxada do “R”, a passagem de “bola” pro comentarista e o “gooooool” bem comprido. É quase uma linguagem alienígena, que a gente só decifra se presta atenção no jogo de palavras. E o cara tem de ser CDF em futebol para explicar os lances e saber quem é quem em meio a africanos, holandeses, japoneses e neozelandeses. Por mais ultrapassado que pareça, narrar futebol pelo rádio é uma prática viva, a começar pelo interiorzão e, mais do que isso, no enorme trânsito de São Paulo, onde o rádio encontrou fôlego para sobreviver.

Ary Barroso: voz do Brasil
