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Keith Haring a fundo
por Zeca Gutierres

arte1163A produtora e curadora norte-americana Sharon Battat, da Litmedia Productions, é responsável por projetos relacionados à arte, moda e publicidade e está por trás da vinda da exposição de Keith Haring para o Brasil. Ela falou ao site sobre a vida e a obra do artista.

Quem é Keith Haring? “Ele é um dos ícones da pop art, da cultura urbana e do grafite. Conseguiu vencer o preconceito e levar os trabalhos que fazia nos metrôs nova-iorquinos para as galerias do arte. Além de ser um artista que influenciou muitas gerações, foi reconhecido pelo seu lado filantrópico. Ele usava o poder de comunicação de sua obra em prol de diversas causas sociais e humanitárias. Recentemente, um dos seus expressivos trabalhos ao lado da performática cantora jamaicana Grace Jones serviu de inspiração para a Vogue Brasil, que trouxe Isabeli Fontana na capa. Haring colaborou com Andy Warhol, Jean-Michel Basquiat, Kenny Scharf e Madonna, entre outros ícones pop.”

Como era a Nova York da época em que ele fez sucesso? “Nova York é uma cidade que muda muito, não tem muitas regras e, em geral, está sempre em busca de algo novo e fresco. No fim dos anos 70 e nos primórdios da década de 80, com o auge do punk e o inicio da corrente hip hop, Haring sabia como ninguém misturar a cultura da rua e da noite com o mundo da arte. Isso era algo novo. Se eu pudesse voltar no tempo, iria querer viver naquela época, poder sentir esse momento pelas ruas de NY. Para mim, foi uma época de intensa criatividade, de forte influência e relevante até hoje.”

Qual a principal marca do trabalho dele? “Sem duvida, o highlight do seu legado está na obra “Radient Baby” (Bebê Radiante), no desenho de cachorro e nos bonequinhos dançando.”

Ele teve um papel importante no combate à Aids. “Ele foi bem atuante nesta questão. Na época em que ele foi diagnosticado como portador da doença, não havia muita informação a respeito. Não se sabia ao certo o que era Aids e como era transmitida. Keith foi um dos artistas pioneiros na busca dessas respostas e isso ficou evidente em muitos dos seus trabalhos. 2010 marca os 20 anos de morte do artista, provocada por complicações pela doença. Contudo, antes de seu falecimento, ele ainda teve forças para criar uma Fundação. Ela é voltada para apoiar instituições e trabalhos de pesquisas focados na busca da cura da Aids. A Fundação Keith Haring atua também trazendo informações por meio de projetos educacionais aos portadores da doença. A exposição Selected Works vem celebrar essa importante contribuição e também resgatar todo o trabalho que Haring nos deixou, tendo como foco a sua relação com o vírus da Aids. Isso tudo me motivou a realizar, com a exposição, uma ação educativa reforçando a mensagem de Haring de se fazer chegar a todos – portadores ou não do vírus – uma informação preventiva e consciente sobre a doença.  Essa ação educativa não trata-se apenas de uma homenagem à iniciativa dele de tempos atrás. O que busco é dar continuidade a um alerta. Precisamos sempre alertar que não existem motivos para não  tomar cuidado! O nosso alerta também vem por meio de uma publicação onde reunimos testemunhos de diferentes pessoas e nacionalidades que contraíram o vírus e que decidiram compartilhar a sua luta diária de sobrevivência. Essa publicação traz também mensagens de Haring sobre a doença, informações de ONGs atuantes no assunto, lugares onde se pode fazer o teste ou mesmo buscar ajuda ou respostas às diversas questões.”

Como o trabalho dele é visto hoje no mundo?Haring foi um dos artistas mais conhecidos pela pop art. Ainda que não se conheça o nome, o trabalho dele é fácil de ser identificado. Ele foi um dos poucos artistas que conseguiu ser comercial sem perder o prestígio e o respeito pela sua obra no mercado da artes. Ele foi realmente um inovador, e acho que muitos artistas de hoje se inspiram nisso. Um bom exemplo dessa corrente é Shepard Fairey. E Keith Haring, Jean-Michel Basquiat e Kenny Scharf foram considerados os grandes responsáveis por quebrar o preconceito que existia em relação à arte urbana do grafite nos anos 80. Haring acreditava que arte era para todo mundo e os lugares mais democráticos para ela chegar a todos, sem exceção, seriam as ruas e o metrô. Ele deixou muito de si para o mundo, ao criar uma nova forma de comunicação. O seu legado é incrível e graças a Julia Gruen, e a todos da Fundação Keith Haring, a obra dele está bem cuidada e, como ele queria, acessível.”

O que podemos esperar da exposição que chega ao Brasil? “Ela terá 94 obras que nunca foram expostas no país, algumas não conhecidas do grande público. Selecionei também alguns itens pessoais que contam um pouco da personalidade de Haring e alguns que marcam a sua passagem pelo Brasil. Haverá muita coisa interessante, mas prefiro não estragar a surpresa.”

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escrito por Guti

julho 28, 2010 às 12:49 pm

postado em ARTE

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