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João Doria e o abraço corporativo de Dilma
por Pedro Venceslau

Ninguém foi demitido no almoço que o chefe dos aprendizes ofereceu para a candidata petista. Mas entre garfadas e perguntas, reinou o agregador espírito do RH.

humor3Ainda não me acostumei com o dress code das coberturas eleitorais. Em um almoço oferecido por empresários para Dilma Rousseff devo ir trajado como repórter ou me montar no estilo corporativo? Na dúvida preferi pecar pelo excesso. Tirei do armário o terno da Vila Romana e a melhor gravata da C&A. Depois encerei o sapato preto Dipolini e parti. Foi a melhor pedida. Não fosse pelo crachá laranja-Holanda escrito “IMPRENSA” eu até parecia mais um entre os 400 empresários impecavelmente vestidos que compareceram ao hotel Hyatt, em São Paulo, para comer e sabatinar a candidata do PT, na última segunda-feira. O evento foi organizado pelo Lide, o poderoso Grupo de Líderes Empresariais liderado por João Doria Jr. O primeiro trocadilho infame foi automático. “Será que vai dar lead?”. Deu e sobrou. A candidata e os políticos chegaram praticamente na mesma hora. Para ganhar tempo, a organização colocou a sabatinada em uma mesa localizada em cima de um palco. A frente dela estavam alinhados o garfo, a faca, o prato, o copo de água e um guardanapo de pano. A ideia era que o rango fosse sendo servido durante o evento, sem pausas. Ao lado de Dilma sentaram-se uma dezena de empresários que estavam apoiando ou patrocinando o evento. Como tempo é dinheiro, nenhum deles teve direito ao microfone.

sardinha

Os jornalistas foram colocados em mesas laterais, no salão, mas tiveram o direto ao mesmo cardápio. Antes que a turma pudesse comemorar uma bela moça da organização, trajando vestido vermelho e meia calça Kendall, informou: “Os brindes no fim do evento são só para os CEO´s”. Ao microfone, João Doria Jr deu outra recomendação para a plateia: os brindes viriam com cartões para que os presenteados pudessem agradecer aos patrocinadores no dia seguinte. Antes do começo do evento, todos foram convidados a ficar de pé para execução do Hino Nacional. Em um telão, a música, que tocou inteira, foi acompanhada por imagens de cenários brasileiros. Quem perdesse o fio da meada na altura do “lábaro estrelado” tinha a opção de seguir uma legenda. Como o Brasil havia acabado de ser eliminado, não houve uma catarse. Termina o hino. Michel Temer, o vice, é chamado ao microfone. Como a plateia não se empolga, a mestre-de-cerimônias pede com jeitinho: “Vamos aplaudi-lo por gentileza”. Clap, clap, clap. A fala de Michel coincidiu com a chegada da salada. O “tilintar” dos garfos raspando os pratos por vezes se confundia com a voz do orador. Termina o discurso. Mas antes que a candidata enfim subisse ao palco, João Doria faz um derradeiro pedido: que todos ficassem de pé e trocassem de cartão com a pessoa ao lado. Na mesa reservada aos petistas, ninguém seguiu a orientação. Afinal, é bem provável que Marta Suplicy, Palocci e cia. tenham os telefones uns dos outros de cor e salteado. Quando muitos já esperavam por um abarco corporativo o momento RH finalmente termina e Dilma sobe ao palco…

escrito por Guti

julho 7, 2010 às 9:43 pm

postado em HUMOR

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