Cores e formas urbanas
da redação
Onspeed visitou a exposição dos norte-americanos Gary Baseman e Shag, que abriu a programação de 2010 da galeria Choque Cultural. Aproveitamos para bater um papo com os artistas e entender a arte de cada um, além de saber a percepção sobre São Paulo.
Gary Baseman – ilustrador e cartunista. Mora em Los Angeles e faz trabalhos de editoração e produção e direção de filmes de animação. Já foi eleito pela “Entretainment Weekly” uma das 100 pessoas mais criativas do mundo.
Como você define sua arte multimídia? “Quero atravessar barreiras e quebrar todos os limites que as pessoas costumam se impor.”
Você sente que caminha por mundos distintos com sua arte? “Não acho que são mundos distintos. Gosto de criar meus próprios mundos, de deixar minha marca onde quiser e não onde a sociedade me diz que devo colocá-la.”
Foi bom colaborar com a Disney? (Gary foi criador e produtor executivo da série de TV “The Teachers Pet”). “Foi bom, ganhamos três Emmys e, apesar de ser a Disney, não foi um desenho que seguiu o molde da empresa. Foi um show ousado, tinha caráter, sarcasmo.”
Conhece a cultura brasileira? “Conheço alguns artistas que respeito. Dias atrás tive contato com alguns artistas do grafite, como Zezão e Spetto. Eu e o Spetto bolamos um personagem juntos.”
Gosta do Brasil? “Gosto muito, já é a terceira vez que venho para cá. Vou ficar aqui até o final do Carnaval e talvez vá para a Bahia. Estive aqui no Carnaval, há dois anos, e usei muito do que vi nos meus festivais. Foram ótimas inspirações!”
SHAG – Josh Agle, conhecido como Shag, é pintor, ilustrador e designer. Procura inspiração no estúdio dele, com vista para os morros de Los Angeles. Não raramente apresenta suas obras em Nova York, Paris e Tóquio.
Você é um Angelino nato. O que está achando da loucura do tempo em São Paulo? “Acabo de chegar e já percebi que a cidade é wild! Estou admirado com ela, com a energia daqui. Acho que é a única cidade no mundo que me lembrou Tóquio.”
E sua relação com Los Angeles? Percebe-se muito o lifestyle da cidade em suas obras… “Quando comecei a pintar, há 15 ou 16 anos, tudo o que queria era ter uma casa grande, com um carro novo na garagem, mulher e dois filhos. De preferência ter uma vista de cima do Hollywood Hills. Queria ser famoso, saber o que era reconhecido. Agora que tenho tudo isso, acho que me voltei contra a cidade e os seus valores.”
Por isso a guinada no tom das suas obras? “Sim, há uns 18 meses percebi que estava pintando o que os outros queriam. E eles queriam gatos voluptuosos, esculturas de TIKIS em safáris… Essas coisas não combinam mais comigo. Deixaram-me rico, mas não me satisfazem.”
Seus quadros de antigamente me lembraram muito David Hockney… “Sim, é verdade. As piscinas, a atmosfera de calor e Califórnia, tudo isso é muito L.A., muito Hockney. Ultimamente acho que me baseio mais em suas obras dos anos 80, quando ele pintava panorâmicas de Mulholand Dr. Acho que me identifico com ele e um pouco de Bosch (Hieronymus Bosch).”
E o que as pessoas acharam da mudança? “Algumas pessoas não gostaram, perguntavam por que eu estava mudando meu estilo, gostavam dos gatos. Mas a maioria me apoiou bastante, ficaram empolgados.”
Vai continuar vivendo em L.A por enquanto? “Sim, sim… Ainda gosto muito do clima. Talvez mude para Nova York ou talvez a Noruega. Minha família é de lá e a última vez que fui eu senti um chamado lá…”
Também fica no Brasil para o Carnaval? “Não, não… Tenho que voltar para Palm Springs! Vou abrir uma loja lá.”
Shag e Gary Baseman
Gary Baseman com desenho criado com Spetto
Inspiração de Gary no Carnaval carioca
Gary Baseman
Shag
“The Egg and the Ant” – 2009 – SHAG
“Page 345″ – 2010 – Gary Baseman
Obras de Gary Baseman
A exposição fica em cartaz até 27 de fevereiro.

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Choque Cultural
3 fev 10 em 10:58