Arquivo - Categoria ‘SALVADOR’
Dia de festa no mar…
fotos Valéria Simões / texto Dinha Ferrero e Lu Moniz
Yemanjá, mãe de muitos, fecunda e fértil. Filha do oceano, senhora das águas salgadas, mar de onde tudo vem e pra onde tudo vai. Dona das praias, enseadas, baías, conchas e pedras marinhas. Aiabá, senhora do inconsciente, do ritmo, dos ciclos. Senhora das cabeças. A que consola e protege. Sereia dos marujos. Senhora da prata, das rosas brancas e da porcelana azul, a quem agradeço sem pedir. Odoiá.

Carrinho Multimídia
especial Dinha Ferrero e Lu Moniz
Junto a carrinho de sorvete de cantimplora e de pipoca, lata de taboca, churrasqueira de jante de pneu, fifó e fogareiro de queijinho, o carrinho de cafezinho é um dos símbolos mais pop do design popular vernacular (tem até concurso anual de carrinho de café). São carrinhos com rodas de rolimã (ou não), em forma de miniatura de carreta (ou trio-elétrico), que leva na carroceria quentes-frios de café, copinhos, cigarros a retalho e vários outros produtos, volante e adereços diversos ao gosto do dono: rádio, DVD player, alto-falantes, TV, MP3, lanternas, pisca-pisca, na ambiência cabine de caminhão. Há uns anos, um ou outro vendedor de cafezinho levava seu micro-trio pro carnaval, e já dançamos Chicrete com Banana (sic) quarteirões inteiros atrás de um carrinho de cafezinho, em alguma dessas madrugadas momescas. A produtora baiana Ana Dumas provavelmente também deve ter ido, porque no carnaval do ano passado extrapolou e montou, com seu coletivo de arte Curto Circuito, um bloco puxado por um trio-carrinho alugado e saiu pelas ruas boêmias do Rio Vermelho. A experiência foi tão boa que Ana criou o próprio carrinho, um caminhãozinho multimídia, equipado com som, amplificador, TV, microfone, projetor portátil e netbook. O Carrinho Multimídia é a voz do coletivo Sound Sisters (poesia, som, vídeo-arte) e nesse verão já fez participação em várias festas e eventos de Salvador, de show de Mariella Santiago a baile vip de ano-bom. Nesse carnaval o bloco do Curto Circuito (ou agora é Sound Sisters?) sai de novo no Rio Vermelho, dessa vez puxado pelo carrinho pluricanais. E tem rolado aquecimentos: os Bailinhos Curto Circuito, com participações especiais. O primeiro aconteceu dia 07/01, fazendo o roteiro Farol-Porto da Barra e dia 2 de fevereiro vai estar na festa de Iemanjá. Isso é outra resenha.

Pra ingleses e baianos
especial Dinha Ferrero e Lu Moniz
Verão. A melhor época para curtir Salvador. É quando os baianos viram um pouco turistas. Terra quente, céu azul aberto, nenhuma nuvem. Cada pôr-do-sol é um espetáculo único, do jeito que nenhuma terra tem… Pros ensaios do bloco Afropopbrasileiro, Margareth Menezes começou o ano sob a direção de Bia Lessa, cenário luxuoso, figurino lindo de Valeria Kaveski, repertório novo; o primeiro ensaio teve a Marrom como convidada: às quintas, com acesso disputadíssimo. Domingo, Carlinhos começou o Sarau Du Brown tendo Seu Jorge como convidado: só o cacique comanda a gente nesse ritmo vertiginoso! Às segundas tem Cortejo Afro no Pelô e samba da melhor qualidade no Espaço Cultural Barroquinha (Igreja da Barroquinha). Terça tem Gerônimo de graça na escadaria da Igreja do Paço (O Pagador de Promessas). Sábados Ilê Ayiê, onde já rolou participação de Luis Melodia (a Deusa do Ébano 2010 já foi escolhida!). Pra sair deste frenesi, duas estréias teatrais: “Siricotico – , comédia do balacobaco”, da Cia Baiana de Patifaria, que vem depois de 20 anos de sucesso sem precedentes na Bahia com “A Bofetada”; a sétima peça da companhia, que promete mesmo êxito da antecessora, tem no elenco Jarbas Oliver, Nilson Rocha, Alexandre Moreira, Lelo Filho e direção de Fernanda Paquelet. E chega a Salvador o monólogo “O Homem da Tarja Preta” de Contardo Calligaris e direção de Bete Coelho, com o baiano Ricardo Bittencourt – nesses tempos de superpopulação gay e fantasias sexuais versicolores, interessantíssima abordagem sobre a masculinidade. Fora isso é jantar aqui, almoço ali, passeio de barco, boteco, gente em casa, casa de gente, cerveja, prosseco, cachaça, e verba pra finaciar a esbórnia!

Salvador em cena
por Dinha Ferrero e Lu Moniz
A segunda edição do Festival Internacional de Artes Cênicas mobilizou mesmo a cena teatral soteropolitana a semana toda. Programação cheia de espetáculos realmente interessantes. A abertura foi com a peça de Michel Melamed, “Regurgitofagia” (pena que bailarina de vermelho não veio dar uma pinta no TCA). “In On It” foi de uma sutileza comovente, atuações intensas e direção segura. Muito bacana “H3”, o espetáculo de dança de Bruno Beltrão (uma elegância só) e Grupo de Rua, que ganhou o Prêmio Bravo! de Melhor Espetáculo de Dança de 2009: meninos-dançarinos-atletas usando elementos do hip-hop na coreografia contemporânea cheia de contato físico e testosterona. “O Dragão”, do grupo Amok Teatro, o ilusionismo de “Além da Mágica” e o chileno “Neva” também agradaram muito.
O lounge e o ponto de encontro (Barril) foram fervidíssimos, criando opções de lazer na cidade como não se vê há muito tempo. Uma pena a festa de encerramento ter sido cancelada (morreu Neguinho do Samba, e o Pelourinho ficou de luto). Era oportunidade de ver “Sua mãe” (a banda de Wagner Moura), “Limousine” (banda-performance com os atores Evelin Bucheguer e Diogo Lopes) e DJ Dolores (dispensa apresentações), tudo na mesma noite…
