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Que bacana!
da redação
Felipe Machado é um dos muitos jornalistas que embarcaram para a África do Sul na Copa deste ano. Ele, que é diretor de TV e editor de multimídia do “Estadão”, vai lançar o livro “Bacana Bacana”, com o resumo das aventuras pelo continente. Felipe já colaborou com a gente em projeto paralelo ao OnSpeed. Fica aí uma dica de alguém que já passou por tantas áreas do jornalismo, mas que continua escrevendo de um jeito pop.

A Índia é pop
por Sarah Maluf
Quem não conhece o malucão Arthur Veríssimo da revista “Trip”, com suas viagens a lugares que poucos querem ir, mas que, no fundo mesmo, só vai quem tem coragem, fôlego e espírito aventureiro? Arthur vai lançar o primeiro livro, “KarmaPop”, que traz um resumo das muitas viagens que fez à Índia. Ele falou com a gente sobre tantas andanças e algumas comparações pertinentes daquele continente com o Brasil.

Como começou seu interesse pela Índia? “Minha mãe era professora de yoga. Fui me ligando nessas coisas, meu pai lia livros incríveis e aos 16 anos descobri um guru, o Osho, e enlouqueci com a filosofia dele. Naquela época era todo mundo punk e eu seguindo o cara… Aí fui parar em San Bernadino, na Califórnia, numa comunidade, e pirei com as mulheres, as viagens, as músicas.”
O que a Índia tem que falta no Brasil? “A população de 1 bilhão de pessoas. A Índia é o berço de várias religiões, tem mais de cinco mil anos de história. Lá, a minoria, que é muçulmana, é de 25 milhões de habitantes. É fascinante.”

Qual a cidade ou vilarejo você mais gostou? “São tantos, já fiz 17 viagens à Índia. Percorri desertos, o Himalaia, muitos palácios e templos. Na Índia a paisagem muda constantemente, é fabuloso. Mas, as quatro cidades que caíram o néctar da imortalidade (durante a batalha pela posse da kumbh, jarra para os hindus, quatro gotas de amrit, néctar sagrado, caíram na Terra, em Allahabad, Haridwar, Nasik e Ujjain, as quatro cidades onde o festival da Kumbh Mela tem lugar) são lugares que visitei e me emocionam bastante. Participei de vários rituais dali.”
Em quais aspectos a Índia está à frente dos países desenvolvidos? ”Ela está sempre recomeçando, e os traços de sua história estão ali. É um país com muita disciplina, e o povo é muito maleável. A herança dos mercadores, religiosos, cientistas, matemáticos, e, inclusive, da medicina indiana, é enorme. A medicina ayurvédica, adormecida no período da colonização inglesa, é um bom exemplo, assim como a yoga, práticas que tomaram conta do mundo inteiro. Considero a Índia uma fonte inesgotável de sabedoria, ensinamento e perrengues.”

Quais perrengues? “Militares, terrorismo, comida, água. Uma vez fui a um banquete e me ofereceram várias comidas. No outro dia parecia que eu estava com cinco meses de gravidez. Estava indo para Varanasi, perdi o voo e precisei pegar um trem. Viajei de 3 classe passando muito mal. Foi bravo, viu.”
E o que o viajante precisa fazer para evitar situações como essa? “Lá, o cuidado deve ser redobrado, porque até a água mineral lacrada pode estar adulterada.”

Qual a prática mais fora do comum que você conheceu por lá? “Fora do comum já é chegar à Índia. As peregrinações me tocam profundamente. Uma vez fiz uma caminhada até o Monte Kailash, supra-sumo das peregrinações. É um lugar magnetizado, milhões de pessoas já fizeram essa rota, muitos homens permaneceram em cavernas, muitos se iluminaram.”
Quais as dicas para quem planeja uma viagem à Índia? “Não ir preocupado, ler bons livros, bons guias de viagem, como “Vislumbres da Índia”, de Octavio Paz. Ir de mente aberta. Sugiro ir para o Himalaia e depois dar um pulo na Amazônia, para ver os contrastes do planeta.”
Como foi o processo de criação do livro “KarmaPop”? “Nós pegamos negativos e cromos dos meus anos de experiências pela Índia. Foi um processo demorado, este é meu primeiro livro. Demorei porque sou perfeccionista pra caramba. O lançamento está marcado para setembro.”

Um Outro Olhar
por Sarah Maluf
No fundo de um armário, entres caixas, cartas e documentos, mais de seis mil fotos ficaram esquecidas por 50 anos, atrás das portas do banheiro da velha Casa Azul, onde cresceu e viveu Frida Kahlo (1907-1954) – um dos grandes nomes da arte do século XX –, e que hoje abriga o Museu Frida Kahlo, em Coyoacán, na capital mexicana. Em 2002, as imagens foram encontradas e mais de 400 delas ganharam as páginas da obra “Frida Kahlo: Suas Fotos”, lançada pela Cosac Naif. Organizado pelo curador e fotógrafo mexicano Pablo Ortiz Monastério, com orientação de Hilda Trujillo Soto, diretora do Museu Frida Kahlo, o livro reúne fotos do acervo pessoal de Frida e Diego Rivera – marido e grande amor da artista -, mantidas em sigilo por Dolores Olmedo, que depois da morte do amigo Rivera, guardou as recordações da vida apaixonada e libertária de Frida. Espalhadas pelas mais de 500 páginas, as fotos levam o leitor por uma viagem ao México do início do século XX, pela mistura de índio da mãe, Matilde Calderón – principal influência na escolha de Frida pelo trajes típicos – e pela herança alemã do pai, o fotógrafo Guilhermo Kahlo, que despertou na filha a paixão pela fotografia e, principalmente, pelo autorretrato – que mais tarde se tornaria característica marcante em toda a obra da artista. Além dos retratos de família e da presença constante de Rivera nas imagens, outro ponto alto do livro são as inúmeras fotos de amigos e admiradores, que não só frequentavam a Casa Azul, como também se faziam presentes nas lembranças afetivas, e até mesmo amorosas, da pintora – fascinada e apaixonada por homens e também por mulheres. Em cada um dos sete temas do livro, comentados por pesquisadores de diferentes áreas, é possível perceber que a obra, além de resgatar a história de Frida, traz à tona elementos e detalhes nunca antes descobertos, e que com certeza ainda vão acrescentar, e até mesmo modificar, as muitas biografias já escritas sobre ela.


Crédito: Banco de México/ Frida Kahlo: Suas fotos, Editora Cosac Naif
Passando a limpo
da redação
Steve Jobs vai ajudar o escritor Walter Isaacson a levar a história da própria vida para as páginas de um livro. O ex-editor da “Time” quer mostrar a vida de Jobs desde a juventude até chegar à Apple. Jobs já teve a vida aberta em polêmicas biografias não-autorizadas, mas, desta vez, apoia o trabalho de Isaacson – responsável pelas biografias de Einstein e Benjamin Franklin. O livro ainda está em fase de planejamento.

Lado b
da redação
Misterioso, workaholic, ansioso, inseguro e devorador voraz de whisky, cocaína e anfetaminas: esta é a imagem que o livro “Saint Laurent, Mauvais Garçon”, escrito pela francesa Marie-Dominique Lelièvre, passa de Yves Saint Laurent. A biografia não-autorizada do estilista mostra um lado sombrio da fama, muito mascarada pela imagem de mito criada em cima do nome e personalidade de YSL. A publicação conta ainda como era a relação do francês com a família, os amigos, o trabalho e, inclusive, apresenta detalhes do casamento com Pierre Bergé – que em nenhum momento forneceu material para a biografia, claro. A publicação ainda não foi traduzida para o português, mas pode ser encontrada no site amazon.com. Babado!

Sexo em palavras
da redação
Para fugir um pouco das marchinhas de Carnaval, começa no dia 20 de fevereiro o 2º Encontro de Literatura e Erotismo no SESC Pinheiros. Na programação, debates, oficinas e, claro, leituras. A ideia é discutir e entender como o corpo é tratado na literatura e as diferenças na relação com a literatura ao longo do tempo. O projeto, chamado de “Entrelinhas do Corpo”, vai receber por lá os escritores Xico Sá, Alice Ruiz, Márcia Tiburi, Ivana Arruda Leite, Marcelino Freire, Cláudio Willer e Luiz Roberto Guedes. A entrada para os encontros literários é gratuita e eles acontecem nos dias 20, 23, 24, 25, 26 e 27, das 17h às 19h. No Auditório do SESC Pinheiros, na Rua Paes Leme, 195. Para conferir toda programação clique aqui.

História de bolso
da redação
Chega às livrarias brasileiras em março a maior obra-prima de George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, escritor e jornalista indiano. “O Caminho para Wigan Pier”, publicado em 1937, fala sobre o desemprego no norte da Inglaterra na década de 30 e as condições desumanas com que os trabalhadores eram tratados. São obras dele também os romances “1984”, de 1949, e “A Revolução dos Bichos”, de 1945. O livro será lançado no Brasil pela Companhia das Letras. Ah, vamos ler!

Livro de bolso
da redação
Escritores novos e consagrados devem rodar o mundo em 2010. Já foram marcadas para este ano uma série de feiras literárias por países do Ocidente e Oriente. A primeira, Digital Book World, começa ainda este mês, no dia 26, em Nova York. O evento pretende fazer um levantamento das vendas de e-book e dos hábitos de leituras atuais. Na Índia, a 34ª edição da feira de Kolkata tem início no dia 27 e terá a cultura mexicana como tema central. Este ano, o país de Carlos Fuentes comemora o bicentenário da independência e os cem anos da Revolução Mexicana. Em Nova Déli, outro encontro acontece de 30 de janeiro a 7 de fevereiro. No Egito, um dos principais eventos literários do Oriente Médio acontece a partir do dia 28, no Cairo, tendo a Rússia como país convidado. Paris será sede da Expolangues de 3 a 6 de fevereiro. Já a cidade de Angoulême, na região Poitou-Charentes, é mais uma vez ponto de encontro dos fãs de HQ no International Comics Festival, de 20 a 31 de janeiro. E de 19 a 14 de março, Paris volta a ser destaque com o Salão do Livro. Em Israel, a Feira do Livro acontece em Jerusalém no dia 11 de fevereiro. Na Alexandria, Grécia, o encontro será de 25 de fevereiro a 14 de março. Nos Emirados Árabes, de 2 a 7 de março. Na Itália, Bolonha vira capital dos livros de 23 a 25 de março. O mesmo acontece em Bancoc, na Tailândia, do dia 26 de março a 6 de abril e, em Dublin, na Irlanda, no dia 27 de março.

