Arquivo - Categoria ‘ARTE’
A vida recortada
sobre a arte de Hudinilson Jr.
Você deve conhecer Hudinilson Jr. Ele é um artista que fez parte do trio Três Nós Três, dos anos 1980, que fazia de forma inovadora interferências em obras públicas de São Paulo, como esconder estátuas com plásticos pretos, além de apostar no grafite muito antes da técnica virar arte. É que o artista vai expor ao lado de Nino Cais cerca de 60 obras feitas a partir de recortes de jornais, livros, documentos pessoais e outros acúmulos mil. Tudo na Galeria Jaqueline Martins, que fica em Pinheiros, a partir de fevereiro. É uma oportunidade de conhecer a obra pouco conhecida deste artista que vai fundo nas dores da alma para retratar seu universo pop e erotizado. Na época em que nós, do OnSpeed, editávamos o Gibi Erótico, fomos visitar a casa de Hudinilson na Bela Vista e vimos de perto o acúmulo de trabalhos entre cadernos de recortes e telas. Parte do que publicamos na revistinha você confere abaixo.

Ah, a Galeria Jaqueline Martins fica na rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 74, tel. (11) 2628-1943. Seg. a sex., 11h30/19h; sáb., 11h30/17h.
Direto ao ponto
o “terrível” Mario Mendes resume o SPFW
Sem enrolação, sem foto, assim mesmo: pedimos pro Mario Mendes, jornalista que não mede palavras e não tem medo de retaliação, eleger os melhores e piores do São Paulo Fashion Week.
Como anda nossa moda brasileira, Mario?
“Cambaleante, como no mundo inteiro. Mas lá fora falta dinheiro, aqui falta criatividade, identidade, conceito, design etc e tal.”
O que você viu e gostaria de não ter visto?
“Experimentos mirabolantes que não falam com ninguém (João Pimenta) e apresentação de formatura de escola de moda (Amapô).”
Quem acertou em cheio?
“Ninguém acertou em cheio. Tá todo mundo fazendo serviço pra preencher o tempo. Quem pode mais (Herchcovitch, Glória, Reinaldo, Pedro, Maria Bonita…) chora menos.”
Ideias da década passada que persistem…
“Ideia do século passado que persiste: o protocolo da primeira fila. Gente, até quando? Vi até uma notável da primeira fila com alguém segurando o guarda-chuva pra ela numa tarde de tempo ruim. Sinhazinha? Oi, que ano é mesmo?
Viu alguma cópia que te chamou a atenção?
“Várias. Mas como era cópia não botei tanto reparo assim…”
E a trilha sonora mais incrível?
“Alexandre Herchcovitch feminino. Uma batida esquisita no início que desaguou na Babooshka da Kate Bush.”
E o hype? Alguém viu?
“Não, continuam em busca de. Desesperadamente.”
2012 é arte
vem aí e terceira edição do Liquidarte
Aguilar, Anna Letycia, Gerchman, Hécules Barsotti, Manfredo Souzanetto, Marcos Coelho Benjamin, Cícero Dias (foto), Rubem Ludolf e muitos outros artistas estão no Liquidarte deste ano, evento com obras a preços especiais, com desconto de 20 a 90%. As obras selecionadas custarão entre R$ 100 e R$ 1.800. Projeto da Mônica Filgueiras & Eduardo Machado Galeria. É só baixar na Rua Bela Cintra, 1533, Jardins, São Paulo, de 2 a 29 de fevereiro, das 10h às 19h. Tel. (11) 3082-5292. Pelo terceiro ano consecutivo, este importante evento de arte promete.

De grão em grão
agradecimento aos muitos colaboradores

Mais um ano se foi e OnSpeed continua numa boa. Com menos notas que em 2010 mas, com certeza, com textos mais bem selecionados e é isso que importa pra gente. Foram muitos ensaios de moda (um por semana!) e muitos colaboradores que aqui passaram. Sem mais delongas, os agradecimentos: Cacá Di Guglielmo, Cadú Coppini, Cristiano Madureira (foto), Daniel Malva, Renato De Cara, Guilherme Young, Chialin Chiang, Ivan Abujamra, Isabel Zachow, Alessandro Tierni, Felipe Morozini, Jorge Lepesteur, Vinnie Pizzingrilli, Du Borsatto, Edgard de Camargo, Edgar Oliveira, Carol Krieger, Maria de Los Angeles, Pedro Venceslau, Godiva Art Studio, Fabiano Herrera, Didi Freire, Luis Da Silva, Alex Castle, Verena Smit, Estúdio Xingu, Cecilia Macedo, G Prado, Rodolfo Ruben, Catarina Gushiken, Cecilia Duarte, Marcio Simnch, André Azevedo, Carlos Carrasco, Paulo Otero, Guilherme Licurgo, Debby GRam, Cartel 011, Agência Cartaz, Brunno Almeida Maia, Luciana Araújo, William Viana, Sarah Maluf, Glamurama, Bride Machado, Paulo Daidone, Wagner Gorab etc.
Em formas
a cerâmica deluxe de Luciene Calabria
Santo de casa não faz milagre, pelo menos pro OnSpeed. Mas a última nota do ano é sobre uma amiga, porque a data pede. É a Luciene Calabria, diretora de arte que trocou (de novo) São Paulo por Londres há alguns anos e por lá vai muito bem, obrigado! Luciene, que de famosa só tem a irmã, Lorena Calabria, é do tipo discretinha, mas quanto decide fazer arte… Olha só as peças que ela criou e que serão vendidas em São Paulo em breve (depois a gente avisa). “Depois de alguns anos fazendo cerâmica e com bastante incentivo de professores e ceramistas profissionais, decidi lançar minhas peças com a marca 42pots – o nome é uma homenagem ao escritor inglês Douglas Adams. Sempre tive um grande fascínio pela cerâmica, por suas características singulares como material e pela sua longa relação com a história da humanidade. Decidi me dedicar à cerâmica faz cinco anos quando vim morar novamente em Londres. A Inglaterra tem uma tradição e uma relação bem forte com a cerâmica e inúmeros ceramistas admiráveis. Me inspiro em texturas e repetições concêntricas encontradas na natureza. A ideia é criar peças funcionais, agradáveis aos olhos e bastante táteis. Algo parecido como quando você vê e depois segura um abacaxi, uma estrela do mar, uma pinha. As peças são criadas no torno e decoradas a mão. Trabalho com a argila vermelha. Gosto do tom escuro do material e do resultado na queimada de alta temperatura. O acabamento das peças e feito em até três camadas de ‘glaze’ para um resultado de cores surpreendentes”, diz Luciene. É lindo ou não é? Olha este site!


Shot in the Dark, de Luciana Araujo



Shot in the Dark, de Luciana Araujo
10/12/2011 a 28/01/2012*
de terça a sábado, das 11h as 19h
Abertura: 10 de dezembro, sábado, das 11h as 19h
galeria LOGO:
Rua Artur de Azevedo, 401
Jardim Paulista
São Paulo, Brasil
tel 55 11 3062 2381
www.galerialogo.com
O bom francês
por Didi Freire
Top 5 do cinema francês?
Bem, nada facil excluir Pagnol, Truffaut, Carné, Guitry, Chabrol da lista. No entanto, os cinco filmes forever do cinema francês me vêm com ranking e tudo em dois minutos, como se eu passasse o tempo todo pensando nisso.
Ok. On y va?
1- LE SAMOURAI de Jean Pierre Melville – 1967
Primeiro Melville, porque ele merece.
Visionário e protagonista da novelle vague, ele lançou “Le silence de la mer” em 1947 e “Bob le flambeur” em 1956. Adepto do filme “noir”, o cinema americano em sua obra foi uma influência definitiva.
O Samurai, Alain Delon, que dá um show de interpretação sem praticamente abrir a boca no filme inteiro, evolui num cenário de piano-bar e esconderijo numa Paris enigmática que se empresta ao tema.


2- ASCENCEUR POUR L’ECHAFAUD de Louis Malle – 1957
Em “Les Amants”, também de Malle, Jeanne Moreau, extasiada ao conhecer seu novo amante, o homem por quem deixaria sua família, diz num momento de hesitação entre o dever e o prazer: “On ne resiste pas au bonheur”. Ou seja, não há contorno possível para o amor, já que não se resiste, segundo ela, à felicidade.
Mas em “Ascenseur pour l’échafaud” a interpretação da felicidade vai ser outra.
O casal Jeanne Moreau e Maurice Ronet faz par perfeito numa intriga do mestre Malle.
Paris by night ao som jazzy de Miles Davis: um clássico imortal.

3- A BOUT DE SOUFFLE de Jean-Luc Godard – 1959
Como se esquecer de Jean Seberg com seu corte de cabelo a la garçonne e de Jean-Paul Belmondo em plena forma fisica?
Os dois se vêem envolvidos numa trama de amor, ódio e assassinato. Ela, uma americana em Paris, vende jornais nas ruas. Ele, um assassino foragido, faz papel de galã.
E Jean-Luc Godard assume a mestria do “plot” estilo nouvelle vague.
Vale?

4- LA TRAVERSEE DE PARIS – de Claude Autant-Lara – 1956
Gabin e Bourvil estão hilariantes neste filme rodado numa Paris dos anos 1940.
Invasão alemã na França durante a Segunda Guerra, os dois se metem juntos para levarem, dissimulados, pedaços de um porco cortado dentro de várias malas diferentes de um lado para o outro da cidade. Quando chega o “couvre feu”, eles vão ter de driblar, entre cachorros famintos, a guarda do Terceiro Reich.
O porco, produto do mercado negro, devera ser entregue a Louis de Funès, dono de uma mercearia.
Os personagens são quase uma caricatura das diferentes classes sociais francesas.
Imperdível.

5- ET DIEU CREA LA FEMME de Roger Vadim – 1956
Brigitte Bardot nasceu para escandalizar, concordam?
Ela andava descalça, com os cabelos soltos ao vento na plena França acinturada a la new look de Monsieur Dior dos anos 50.
Seu estilo moderno e sua imagem de sedutora tornaram-se um clássico para a moda contemporânea.
Pois. Neste filme, ela pinta e borda como fazia na vida real. Seduz os homens que passam por ela, mas se apaixona pelo único que a despreza. Seu marido na época, Roger Vadim, fez-lhe um fime homenagem.
Contracenando com Jean-Louis Trintignant, Brigitte atua sem pecar. E a lista de filmes em que BB prova seu talento é grande: com Jean-Pierre Cassel em “L’ours et la poupée”, em “Le mépris” de Godard, ou ainda com Jean Gabin em “En cas de malheur” são alguns exemplos.
E quem disse que ela era somente a mulher mais bonita do mundo ?

Feriado cultural na praia
entrevista sobre o Festival de Cinema de Paraty
Suzana Villas Boas comanda o Festival Internacional de Cinema de Paraty, que ajudou a dar cara nova à cidade, cada vez mais cultural. O festival acontece até terça (feriado). Tem até competição dos melhores do ano: em Novos Olhares, oito longas de jovens diretores do mundo competem, como a francesa Mia Hansen-Love, o mexicano Matías Meyer e o sul-coreano Park Jung-Bum. Entre os filmes brasileiros, “Olhe pra mim de novo”, documentário de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, “Inesperado”, de Maria Augusta Ramos, e “Histórias que só existem quando são lembradas”, de Julia Murat, que ganhou uma menção honrosa no Festival de San Sebastián e o prêmio de melhor filme e melhor atriz no festival de Abu Dabi. Tem muito mais, clique aqui. E tem entrevista.

Oi Suzana, conta desta quarta edição do festival. “Da primeira edição para esta muita coisa mudou. Estamos crescendo, nossa programação está super bacana e diferenciada, o LAB PARATY vai começar. Estou muito animada.”
Lembro que vocês queriam recuperar um cinema antigo de Paraty, conseguiram? “Sim, conseguimos. É uma vitória muito importante e foi meta desde quando assumi a direção do festival, junto da SACIP, a partir da segunda edição. O local é, agora, propriedade da cidade e será inaugurado em meados de 2012. Também criamos um bottom com o intuito de estimular o apoio de visitantes da cidade durante o festival. Vamos sugerir o valor simbólico de R$ 3 e a ideia é que esse bottom seja a “chave” para retirada das senhas gratuitas para as sessões.”

Assim como a Flip, o festival reforça a posição de Paraty como cidade cultural. “Paraty é uma das cidades modelo do Ministério do Turismo para implantação de turismo cultural. Isso vem acontecendo naturalmente em Paraty, não só por eventos como a Flip ou o Festival de Jazz ou Cinema, mas também porque as pessoas da cidade são interessadas, tem muito artista circulando…”
Fale também da importância do Joãozinho de Orleans e Bragança. “A fantasia de ter um príncipe no país mexe um pouco com o imaginário das pessoas. Mas nosso príncipe é tão “príncipe” que tem uma atitude discreta e elegante sempre, não fica se exibindo por lá. Eu adoro a idéia de “pertencer à corte”.”
Qual o conceito do festival em relação aos filmes? “O NOVO!!!! Novas cinematografias, linguagens, propostas de produção, novas mídias e tecnologias. Vamos discutir e debater o futuro artístico da produção audiovisual.”

