Buemba-buemba! São as revistas da Al-Qaeda
por Wagner Gorab
Há algumas semanas, um post do jornalista Neal Ungerleider causou frisson entre os veículos online do mundo inteiro. Por aqui, a notícia chegou por meio da Carta do Editor da Editora Abril, newsletter que veicula as principais notícias mundo afora para os profissionais do grupo – e muitas vezes fonte desta coluna. Neal desvendou um mercado editorial até então desconhecido do Ocidente: as revistas editadas pela Al-Qaeda, organização fundamentalista islâmica liderada por Osama Bin Laden e Ayman Zawahiri, e com ramificações internacionais. Apesar de circularem há alguns anos, o conteúdo foi amplamente discutido na internet apenas nas últimas semanas. Com um editorial explosivo – sem trocadilhos… – as publicações online “Sada al-Malahim” (O Eco da Batalha) e “Sada al-Jihad” (O Eco da Jihad) trazem um mix variado que permeia a condenação dos infiéis ao mundo árabe, fugas de prisões, perfil dos assassinos considerados heróis pela organização – como o homem-bomba que realizou o atentado ao príncipe saudita Mohammed bin Nayef no mês de agosto - até dicas triviais de como prevenir ou curar um resfriado. Boa parte do conteúdo das revistas é dedicada à política interna da organização e exalta a opinião dos seus líderes como principal diretriz para a luta da Jihad. Com um visual árido, poucas imagens e muito texto – chegam a quase 80 páginas – as publicações trazem algumas ilustrações que parecem piada. Em uma das páginas, a textura de um abacaxi funde-se à sublime imagem de uma granada. Na capa, uma outra imagem remete à construção engenhosa de uma bomba caseira, ao lado – novamente – de uma granada, iconografia predileta das publicações. Todo o conteúdo pode ser acessado facilmente em PDF pela internet. Segundo o bem-humorado autor do post, “se a mídia impressa não morre, ela pode matar você!”. Neste domingo, dia 29 de novembro, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pediu ao governo paquistanês que aumente a pressão bélica sobre a Al Qaeda e detenha os principais líderes, os próprios Osama bin Laden e Ayman Zawahiri, que devem estar escondidos no norte desse país. Após oito anos do ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center, especialistas acreditam que o movimento terrorista não dependa mais exclusivamente dos líderes – e, portanto, a sua captura seja apenas emblemática para o final do movimento – e não adiante muita coisa. O fanatismo e a devoção à Organização já são amplamente divulgados por meio de sites, blogs, fóruns, publicações e emissoras de TV, muitas vezes não diretamente ligados à Al-Qaeda. Com isso, as investidas bélicas, exigidas pela Inglaterra e EUA, só aumentam a quantidade de sangue derramado no mundo árabe – que se sente motivado a revidar e alastrar o ódio.


o ódio ao ocidente é reflexo da “bushitagem” que assolou as nossas vidas nessa década. o 11 de setembro foi trágico e horrível – mas um foi um efeito coletaral da política medicamentosa estúpida americana.
joao
1 dez 09 em 13:50