Balada vintage
por Zeca Gutierres
Boates bagunçam pra sempre a vida da gente. Elas funcionam como um divisor de águas, uma mexida nervosa nos hormônios, uma revolução das boas no visual… Quando recebi o convite do Mix Brasil (o texto não entrou, então eu posto aqui!) para falar de uma boate que ficará pra sempre na minha lembrança, logo veio o Massivo, aquele sobradinho maluco, com staff multicolorido, que ficava nos Jardins. No carro com dois amigos, semanas atrás, eu contei da escolha e expliquei que a jeitão disco do Massivo me pegou nos meus 20 anos. Um deles disse que “disco foi uma segunda fase, já que o inferninho era mais undergound e se rendeu ao espírito 70 para receber muita gente do interior que descobria a noite paulistana”. O outro completou: “Eu só ia lá pegar uns heteros que estavam experimentando os meninos…”. Peguei a fase mais pop da boate de Bebete Indarte! Ah, sim, a Bebete… Que mulherão! Anos luz de distância das outras meninas, ela voava em plataformas altíssimas e tinha um visual acid. Ah, e tinha o Mauro Borges, o DJ-andróide-bombadaço que fazia performances absurdas nas pick ups. Ele dançava mais do que o pessoal da pista, jogando aqueles brações pro alto, meio “Vogue”, da Madonna. Acho que Mauro ajudou a popularizar por aqui a profissão de DJ e também a cultura da “Barbie” sem camisa na boate. Tinha ainda a Normanda, a chapeleira-maluca que sempre foi legal com todo mundo. Cindy Babado controlava a fila numa época do Massivo – não dá para esquecer a importância das drags para a noite daquela época. Hoje elas estão confinadas no centrão, com pouco glamour. Tinha ainda a Selma Self Service – o Edu Corelli, que tocava montava, mas propositalmente sem glamour. Mandava bem com hits animados. Das almôndegas, que deixou o inferninho mais conhecido na mídia, eu vi pouco. Já os convites do Massivo eram feitos pelo Jorge Morabito, numa época na qual diretor de arte era coisa rara na cidade. Eles eram divertidos, não tinham a seriedade que baixou nos clubes nos anos seguintes. Para encurtar a história, o Massivo me mostrou um mundo de viagens e sensações. A impressão que dá é a de que as pessoas que o frequentaram não carregam isso como mérito. Era apenas um lugar para se divertir, beijar, beber, conhecer pessoas e se aceitar!



Escrevi no flyer de uma das festas do Massivo: “Quem não conhece o passado não vai entender o futuro”. Continua valendo. bjs
MM
19 jul 10 em 15:14
que lindo, Zeca.
estava relendo o livro da Erika ontem, exclusivamente a parte do Massivo, e especialmente para mim, é um prazer ser tão jovem, não ter vivido essa época, mas respeito muito e procuro conhecer, e acima de tudo, ter o prazer de trabalhar com o Mauro Borges.
Escreva mais, sobre essa época!
Beijos, beijos
Brunno Almeida
20 jul 10 em 0:50
Tive a alagria de frenquentar o club Massivo apartir de 93 e fico feliz de ter partilhado este momento com uma geração que só queria saber de DRESS UP & HAVE FUN!
Marcos Marla
20 jul 10 em 18:57
É vero. E que bombou mesmo e onde toda cena começou foi no “Sótão”, no Rio. Dj Amândio. Sem nostalgia, mas era mais animado e menos carão.
Horacio Marques
22 jul 10 em 22:39
Cara o Massivo foi o melhor lugar do mundo… Frequentei por mais de cinco anos… Adorava todo mundo… Faltou voce falr do Talandré, da Angela do Luiz Guedes, o Otto Klaus (Adoro), nossa tanta gente maravilhosa num lugar tão loko que mudou toda a minha perspectiva de tudo… Bom ficou a saudade e a vontade né… Bom Abração
Wainer Fogaça
16 ago 10 em 21:47
zeca, tem alguma casa hoje em dia em são paulo que mantenha essa vibe do massivo?
c.
20 nov 10 em 13:58