A ostra
por Zeca Gutierres
- “Olha pra câmera”, resmungou ela, na hora da foto.
- “Prefiro olhar para você, meu amor”, pensou ele, tímido.
- “Você não tem jeito mesmo, Antônio”, ela disparou.
- “Ô, minha Eloysa, pena que sua cabeça dura não te deixa ver que eu te amo”, soltou ele, de falsete, sabendo que a mulher, tão maltratada pelo passado, não iria escutar nada além do que os próprios fantasmas. Click!!!
[As fotos da categoria RETRATO foram achadas em lixos e ruas e o fotógrafo Paulo Otero as guarda como arquivo de memórias esquecidas. O texto, por sua vez, é ficção]
