Arquivo: setembro, 2010
O trem da alegria de FHC e Ana Maria Braga
por Pedro Venceslau
Um dos meus passatempos prediletos é ler os leads dos releases do Lide. Não entendeu? Vamos lá. Lead é o jargão jornalístico para aquele trecho da reportagem que vem no começo e justifica a manchete. Release é uma “matéria” feita por assessores de imprensa para vender um produto (ou pessoa) aos jornalistas. E Lide é a “ONG” de “líderes empresariais” criada por João Dólar (ops, Dória) que vira e mexe realiza convescotes com a nata no PIB nos lugares mais inusitados do planeta. Uma vez feita a ressalva, aos fatos. Ontem, a turma do Lide (com e no final) mandou um email dizendo o seguinte: “Os famosos Ana Maria Braga, Regina Duarte, Vitor Fasano, Christiane Torloni, Bruna Lombardi, Carlos Alberto Riccelli e Daniela Mercury estarão reunidos com os principais empresários do Brasil para debater Democracia, Relações Políticas e Econômicas para Sustentabilidade da América Latina”. De cara adorei a definição “os famosos”. Essa trupe vai viajar de graça até Cartagena, na Colômbia, onde acontece o 15º Meeting (em inglês mesmo) Internacional. Ainda segundo o release, o trem da alegria terá o “reforço” do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se reunirá com o presidente Juan Manuel Santos. Segue o release: “O objetivo do encontro é estreitar o relacionamento econômico entre os dois países”. Fico imaginando de que forma a Ana Maria Braga e a Daniela Mercury podem ajudar o FHC a estreitar o relacionamento dos dois países. Aliás, pergunta lá em Bogotá se alguém conhece a Ana Maria Braga…Mais legal ainda é pensar na contribuição que o Vitor Fasano e a Regina Duarte, aquela que vive morrendo de medo, têm para dar ao debate sobre “democracia e relações políticas na América Latina”.

Como era doce o meu fracasso
por Zeca Gutierres
Diziam que, na fila do Céu, o brilho passou longe. A beleza, também. Nem os 30 anos de fotografia fizeram dele alguém conhecido. Fotógrafo de casamento é mais invisível que garçom, que gari. Nunca casou, nunca fez mestrado. Viajou pouco porque tinha na cabeça que turista e pombo fazem o mesmo verão. Morou um tempão com a mãe, nunca usou droga e bebia o suficiente para se tingir de vermelho. Não lia jornais porque não acreditava neles. Não falava mal de ninguém porque não tinha a quem criticar. Dormia cedo, acordava tarde e nunca fez academia. A única certeza que tinha é que era feliz com o que tinha. “E fodam-se os méritos”, pensava.

[As fotos da categoria RETRATO foram achadas em lixos e ruas e o fotógrafo Paulo Otero as guarda como arquivo de memórias esquecidas. O texto, por sua vez, é ficção]
Águas vivas
da redação
A gente acaba de receber um e-mail da amiga e videomaker Ruth Slinger com algumas das imagens vencedoras da edição de 2010 do prêmio Fotógrafo de Meio Ambiente do Ano da ONG britânica Instituto para a Gestão do Meio Ambiente e da Água (CIWEM, na sigla em inglês). O alemão Florian Schulz levou a melhor com o registro de um grupo de arraias na costa do México. Vale lembrar que a competição aceita inscrições de amadores e profissionais e foi criada em 2008. As fotos são julgadas em cinco quesitos: impacto, criatividade, originalidade, composição e qualidade técnica. Os vencedores das categorias vão participar de uma mostra na galeria londrina The Air entre 25 e 30 de outubro. Valeu a dica, Ruth!

foto do alemão Florian Schulz

onda quebra em uma praia na Austrália, por Julienne Bowser

a categoria Jovem Fotógrafo foi vencida por Radoslav Valkov, de 20 anos

a vencedora da categoria Mundo Natural foi Bence Mate

foto na Estônia, de Kaido Haagen: uma da finalistas da categoria Submarina

Alex Marttunen foi finalista da categoria Sub-16

Peter Swan foi finalista na categoria Visão do Mundo Ocidental

esta venceu a categoria Qualidade de Vida: uma menina de 15 anos trabalha em bordel
Barulhão bão
da redação
É impressão minha ou você também se sente um gringo em um ensaio de escola de samba? Calma lá, porque a gente também bate um pratão de arroz com feijão e não nasceu em nenhum château da antiga Paraty… Mas, batendo lá na Zona Norte de São Paulo, a gente parece alienígena, a não ser quando dança um sambinha, já que ginga todo brasileiro tem… Enfim, ontem, domingo, fomos visitar o galpão da X9 a convite da diretoria. ÉÉÉ… E, claro, a gente se jogou à beça com a bateria da escola, uma das mais poderosas de São Paulo. É bacana também para entender os bastidores de uma gremiação. Este é o programa de domingo da comunidade nesta época do ano. A gente até indica pras amigas que querem arrumar um namoradão bão, fora do hype… Pra gente, é sempre bom variar, dançar além dos dois passinhos pra lá dois pra cá da boate. As fotos da noite são de Cadú Coppini. Ah, baixa lá num domingo desses (entrada e bebida baratas e climão).
irmãos camaradas
os preparativos da bateria
o tema desta ano: Didi, dos finados Trapalhões
roda de samba pra começar os trabalhos…
ser da bateria é hype
dupla de mestre-sala e porta-bandeira da X9
valeu, X9…
Em busca da fama
Pop de verdade
da redação
A gente gostaria é de estar em Nova York a partir de amanhã para, além de visitar a cidade, conferir a exposição de Roy Lichtenstein (1923-1997) no Morgan Library & Museum. São muitas obras em preto e branco e algumas pouco conhecidas do público. Ele, como todo mundo já sabe, é um dos precursores da pop art, mas não saiu da história tão famoso quanto Andy Warhol, que era talentoso, mas também um megamarketeiro. Os desenhos, que complemetam o trabalho de Roy como pintor, vão ganhar destaque, com enfoque também nos anos 60 - época de imensa fomentação da arte pop, que faz o original fingir ser cópia. As tirinhas do artista também vão estar por lá: dos traços mais simples aos mais elaborados. Ah, e uma instalação do artista, datada de 1967, extensão em três dimensões de um desenho dele. A exposição é organizada pela curadora Isabelle Dervaux e depois de Nova York segue para Viena - que também seria ótimo visitar (kkk).

Vai falar o quê?
por Zeca Gutierres
O que a gente fala quando acha que não há nada a ser dito? Quando se tem um site, um blog, um jornal…, é preciso manter o leitor informado, mas isso não quer dizer que há sempre notícia pra informar. Quer dizer: notícia há, mas nem sempre elas cabem na formato da gente. Street Biennale? Todo mundo já falou. Política? Deixa pro Pedro Venceslau, claro. Assim, ó: dar copy paste em notícias internacionais, como um monte de site faz, a gente definitivamente não quer. Falar de gossip? Não, deixa pra quem definitivamente não tem o que dizer. Fazer humor? Ótimo, mas não é todo dia que a gente tá no clima. Moda? Nossa, ela anda tão pequena pros sonhos da gente… Entrevistar alguém? Tá aí um bom recurso em dias de “seca no laguinho”, mas a resposta nem sempre chega no dia esperado. Bom, desculpe aí, leitor, pela falta de notícia. Logo nossos colunistas resolvem a questão.

Less is More!
por Luis Da Silva aka Pardal
O conceituado arquiteto inglês John Pawson ganha uma grande e ótima mostra de seu trabalho no Design Museum. Pawson começou a chamar a atenção no inicio dos anos 80, época na qual o excesso predominava na arte em geral. E com seu estilo simples e, às vezes, severo, ele ficou conhecido como um dos criadores do minimalismo. Rótulo que até hoje o persegue. Suas obras são bem variadas: casas para famosos (loja e casa de Calvin Klein), Ian Schrager (criador da disco Studio 54 e hoje hotelier) etc. Mas não são só famosos e ricos… Seu monastério na Republica Checa é considerado o “masterpiece” da carreira dele. E aproveite o passeio para comer no Blue Print Café, no mesmo lugar, onde o chef Jeremy Lee, um dos mais originais da modern british food, faz maravilhas. Aproveite.

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