Arquivo: agosto, 2010
Ladeira acima
por Bebete Indarte
Era início dos 90’s… Almodóvar ainda mágico. Fanática, fui assistir ‘De Salto alto’ (Tacones Lejanos). Na época, Victoria April era a musa, mais jovem, desbancou Carmem Maura, novidades estavam por vir. E eis que veio a cena na ‘buatchy’ do ator Miguel Bosé dublando uma música impressionante, vestido de drag (europeia), mais parecia homem que drag, e a coreografia cafona, e na plateia as drags fazendo os mesmos trejeitos, os mesmos gestos ‘camp”, soando tudo falso, dúbio, tragicômico dramático, como só Almodóvar sabia fazer. Não tive como me conter, aquela música que ficou na minha cabeça. O momento do filme, queria fazer um cover, aquilo ficou atado na memória e não saiu mais. Pois bem, nessa época incluí no repertório do meu show “Bebete cantando pelos cotovelos” (sim eu quase fiz um). Não tínhamos Google, e nem mesmo as fontes acessíveis hoje em dia, tudo era parco para saber as informações de um filme. Coloquei na cabeça que a performance vocal era da Sara Montiel e fiquei anos equivocada, alguém confiável tinha me dito ‘com certeza’, era a Sarita. Whatever, aprendi a pronúncia impecável em espanhol com uma amiga argentina, fiz aulas de canto, e nunca fui longe na performance do que no antigo bar Aze 70, em São Paulo. Num belo dia, por causa de um blackout, lá saí eu escadas abaixo, sem holofotes, sem luz…cantando meu hino ‘Un Año de Amor’… e abafei, abalei Paris, oops, a Alameda Itu, quem viveu viu e me realizei. A luz chegou e recebi aplausos dos clientes, não caí do salto (alto) mas sumi na escuridão, pra ter contato anos depois com a verdadeira Luz Casal, a intérprete (voz) do mais autêntico “Almodóvar” nessa dramática e singela canção “Un Año de Amor’… Confiram!
Não apague a luz
por Pedro Venceslau
O Michel Temer é o cara mais presidente que eu conheço. Mesmo sendo o vice de Dilma, o que já é um trabalho e tanto, ele não largou os ossos: preside simultaneamente o PMDB e a Câmara dos Deputados. Se bobear, ainda é síndico do prédio onde mora em Brasília e coordena o carteado no domingão. Cargo é com ele mesmo. Dizem que até o conhaque dele é Presidente. Mas Temer negou que tenha esse apetite todo. Por meio de nota oficial, afirmou que a história do PMDB querer “meiar” o Brasil com Dilma é intriga da oposição. Maldita oposição. O lema é: não há nada a Temer. O PMDB não quer cargos, só quer o bem do país, gente. Afinal, o sol nasceu pra todos e também pra você. Aliás, penso em adotar essa estratégia. Daqui por diante, só me manifesto por meio de notas oficiais. Ficou no bar, esqueceu da vida? Não abra a boca. Solte nota oficial para a esposa negando tudo. E ela que pergunte mais detalhes para sua assessoria. E por falar em nota oficial: se todos os toscos vencerem, a Câmara vai ficar com cara de Escolinha do Professor Raimundo. Imaginem uma CPI sobre Pré–Sal com vossa excelência deputado Tiririca pedindo um aparte à nobre colega Mulher Pêra. Sensacional. “Vossa excelência é um abestado!!!”. Não é piada: o Suplicy, sempre ele, gravou depoimento pedindo votos para a Mulher Melão. Essa sim, só usa renda mínima. O jingle dela é genial: “É federal, é federal. Vote na Pêra que é legal”. E o Ronaldo Esper quer herdar os votos do Clodovil. Seu slogan é matador: “Vaso ruim não quebra”. Na TV, ele faz campanha lembrando que a grande façanha de sua vida foi roubar vasos em um cemitério. Mas calma: ele é ficha limpa.

Tempos atrás
por Edu Corelli, do site ObaOba
A convite do clã da OnSpeed, por indicação do maestro das pick ups Mauro Borges, que faz festa sobre o tema nesta quarta-feira (dia 25), fui convidado a escrever sobre o Sra. Krawitz, e pra mim é meio drama, muita responsabilidade, pois com certeza um antropólogo ou um jornalista formado tiraria de letra. Eu resolvi tirar por sons e imagens o clube que marcou em muito e pouco tempo esta cidade que vive de insonia e glamour. E já que o mundo mudou e tá megaspeed, ninguém quer mais ler um salmos (não duvido que logo 140 caracteres irão ser uma bíblia). Por isso, seguem meus 13 mandamentos (se preferir fundamentos) do Sra. Krawitz…. Merci clã OnSpeed.
* Com esse hit veio o mandamento apito de juiz de futebol no pescoço
pros meninos e anés de apito pras meninas.
* Junto com Altern 8, arrasaram no L&M light, senão o primeiro, mas
o mais bafônico festival de eletronic music.
* Mark Kamins, que descobriu Madonna, também tocou nesse festival,
e fez desse o maior hit do Sra. Krawitz.
* Era tocar e a pista inflamava…
* André Matalon era o único que trazia todos os vinis e cds importados
pra um grupo seleto de djs e vendia no apto dele, nem loja tinha.
* A festa Nossa Senhora do Make Up é Drag – a melhor festa.
* Renato Lopes e Mau Mau – desculpem os outros djs, mas nunca
haverá uma dupla melhor numa cabine de som. Fato!
* Nenê – o mentor , tanto que é hoje Nenê Krawitz.

Johnny Luxo

Katia Miranda

Selma Self Service

Ser Henrique

A Índia é pop
por Sarah Maluf
Quem não conhece o malucão Arthur Veríssimo da revista “Trip”, com suas viagens a lugares que poucos querem ir, mas que, no fundo mesmo, só vai quem tem coragem, fôlego e espírito aventureiro? Arthur vai lançar o primeiro livro, “KarmaPop”, que traz um resumo das muitas viagens que fez à Índia. Ele falou com a gente sobre tantas andanças e algumas comparações pertinentes daquele continente com o Brasil.

Como começou seu interesse pela Índia? “Minha mãe era professora de yoga. Fui me ligando nessas coisas, meu pai lia livros incríveis e aos 16 anos descobri um guru, o Osho, e enlouqueci com a filosofia dele. Naquela época era todo mundo punk e eu seguindo o cara… Aí fui parar em San Bernadino, na Califórnia, numa comunidade, e pirei com as mulheres, as viagens, as músicas.”
O que a Índia tem que falta no Brasil? “A população de 1 bilhão de pessoas. A Índia é o berço de várias religiões, tem mais de cinco mil anos de história. Lá, a minoria, que é muçulmana, é de 25 milhões de habitantes. É fascinante.”

Qual a cidade ou vilarejo você mais gostou? “São tantos, já fiz 17 viagens à Índia. Percorri desertos, o Himalaia, muitos palácios e templos. Na Índia a paisagem muda constantemente, é fabuloso. Mas, as quatro cidades que caíram o néctar da imortalidade (durante a batalha pela posse da kumbh, jarra para os hindus, quatro gotas de amrit, néctar sagrado, caíram na Terra, em Allahabad, Haridwar, Nasik e Ujjain, as quatro cidades onde o festival da Kumbh Mela tem lugar) são lugares que visitei e me emocionam bastante. Participei de vários rituais dali.”
Em quais aspectos a Índia está à frente dos países desenvolvidos? ”Ela está sempre recomeçando, e os traços de sua história estão ali. É um país com muita disciplina, e o povo é muito maleável. A herança dos mercadores, religiosos, cientistas, matemáticos, e, inclusive, da medicina indiana, é enorme. A medicina ayurvédica, adormecida no período da colonização inglesa, é um bom exemplo, assim como a yoga, práticas que tomaram conta do mundo inteiro. Considero a Índia uma fonte inesgotável de sabedoria, ensinamento e perrengues.”

Quais perrengues? “Militares, terrorismo, comida, água. Uma vez fui a um banquete e me ofereceram várias comidas. No outro dia parecia que eu estava com cinco meses de gravidez. Estava indo para Varanasi, perdi o voo e precisei pegar um trem. Viajei de 3 classe passando muito mal. Foi bravo, viu.”
E o que o viajante precisa fazer para evitar situações como essa? “Lá, o cuidado deve ser redobrado, porque até a água mineral lacrada pode estar adulterada.”

Qual a prática mais fora do comum que você conheceu por lá? “Fora do comum já é chegar à Índia. As peregrinações me tocam profundamente. Uma vez fiz uma caminhada até o Monte Kailash, supra-sumo das peregrinações. É um lugar magnetizado, milhões de pessoas já fizeram essa rota, muitos homens permaneceram em cavernas, muitos se iluminaram.”
Quais as dicas para quem planeja uma viagem à Índia? “Não ir preocupado, ler bons livros, bons guias de viagem, como “Vislumbres da Índia”, de Octavio Paz. Ir de mente aberta. Sugiro ir para o Himalaia e depois dar um pulo na Amazônia, para ver os contrastes do planeta.”
Como foi o processo de criação do livro “KarmaPop”? “Nós pegamos negativos e cromos dos meus anos de experiências pela Índia. Foi um processo demorado, este é meu primeiro livro. Demorei porque sou perfeccionista pra caramba. O lançamento está marcado para setembro.”

Pseudopolaróides
fotos Cadú Coppini
Com sotaque
por Sarah Maluf
Quem circula por Paris durante os dias quentes deste verão europeu pode perceber uma mesma voz tomando conta dos bares, festinhas e baladas pop da capital francesa. Com o primeiro álbum “Zaz”, a cantora Zaz, ou Isabelle Geffroy, conquistou os refinados ouvidos franceses e já é a mais nova queridinha por lá. Desde canções “deprês” até hits mais agitadinhos, Zaz circula bem por vários ritmos, com um vozeirão que coloca qualquer Carla Bruni no chinelo. Será que ela vai ganhar o mundo?
Carola
por Sarah Maluf
Seu sorrisinho discreto, quase permanente, era proposital. Atrás dele, ela escondia uma mulher severa, com os filhos, marido e ela mesma. O cabelo era sempre impecável, assim como a roupa, elegante como deveriam ser as mulheres direitas de uma boa famíla cristã. Frenquentava o encontro de mães católicas e aproveitava cada reunião para saber um pouco mais da vida alheia. Adorava espalhar os casos extraconjugais da vizinhança, a situação financeira da prima e usava o confessionário para expressar sua indignação com as duas senhoras do bairro que diziam morar juntas por problemas de saúde, mas que no fundo todos sabiam se tratar de um caso amoroso. “Deus me livre de uma coisa dessas”, resmungava com ares de repugnância ao padreco. Não que dentro de casa ela não tivesse problemas, pelo contrário. Fingia não perceber as frustrações amorosas da filha gordinha ou a guerra entre o primogênito e o marido. Não queria nem saber se tudo ali ia mal. O mais importante era que ninguém, em hipótese alguma, faltasse às missas de domingo. Passava os dias com uma amargura que fazia azedar até a sobremesa mais doce. Sua intolerância constante afastou com o tempo as poucas amigas de infância e o marido há anos não tinha coragem de encostar sequer em um fio despenteado do cabelo dela. Quem a via passar, com uma carinha das mais falsas, comentava que só mesmo uma boa noite de sexo conseguiria acabar com tanta chatice.
[As fotos da categoria RETRATO foram achadas em lixos e ruas e o fotógrafo Paulo Otero as guarda como arquivo de memórias esquecidas. O texto, por sua vez, é ficção]
Na medida certa
por Gabi Prado
É muito bom viajar, né? Mas, para as meninas, a hora de arrumar o nécessaire para colocar na mala é um transtorno. A verdade é que toda mulher sofre com o tamanho dos frascos de shampoo, condicionador, creme para o corpo, perfume, algodão para tirar a make, e toda esta lista, que só cresce… Pensando nisso, resolvi dar a dica de potinhos, como estes da marca americana Bobbi Brown. É muito prático para colocar a quantidade certa dos nossos produtinhos, que serão carregados na frasqueira, além de ocupar menos espaço! O preço deste kit é de US$ 10. Aqui no Brasil, perfumarias ou drogarias especializadas também têm! Bj e boa viagem!


