Arquivo: julho, 2010
Invasão pop
fotos Cadú Coppini
João Doria e o abraço corporativo de Serra
por Pedro Venceslau
Quem vê o José Serra na televisão não imagina o quanto ele é galanteador. Na última segunda-feira foi a vez do presidenciável tucano ir almoçar com os empresários do Lide, o grupo liderado por João Doria Jr. Terminado o rango, rolou a tradicional coletiva. Como de praxe, Dória ordenou que a primeira pergunta deveria ser por uma mulher. Não me perguntem o motivo. Quando uma jornalista chamada Maria Angélica, do portal G1, pegou o microfone, o galanteador presidenciável não resistiu: “Falando aqui de forma abstrata, nunca vi um nome tão ajustado à pessoa”. A coleguinha ruborizou e, por pouco, não perdeu o fio da meada. Antes disso, ele havia dito que “as mulheres dominam o jornalismo brasileiro”. E, antes de ir embora, fez questão de “brincar” com as belas “carrapatas” que o acompanham em campanha. Aos rapazes, nem palavra (juro que não fiquei com ciúmes). Depois do tradicional e interminável “Hino Nacional”, chegou a hora da sabatina. Lá pela terceira fala longa do candidato, que distribuiu torpedos contra o governo Lula, Doria pediu que Serra desse respostas mais curtas. Acabou ouvindo o que não queria. “Então escolha perguntas mais breves”. A propósito: além de feio, não há como negar que o tucano não é simpático. Ele até se esforça para ser, mas não consegue. Entre as cenas mais cômicas do evento está a saudação que a apresentadora fez ao anfitrião: “Peço que todos saúdem com muita honra… J-o-ã-o Dóriaaaaaa…”. Pergunta: como faz para saudar com muita honra?

Leia aqui João Doria e o Abraço Corporativo de Dilma
Canibais de nós mesmos?
por Zeca Gutierres
Na moda, muitas vezes, se fala de um retorno de coisas, de coisas que estão morrendo e outras que estão nascendo, mas, me parece, nada saiu ou entrou “neste plano”. Apenas os olhares estão focados em novas paisagens, pra moda sobreviver, sendo que ela, mais do que as outras artes, depende dessa necessidade louca de se reinventar, para poder vender novas ideias, roupas, sonhos para pessoas que não entendem muito o que é sonhar (minha vó já dizia que bêbado não sonha…). E assim a indústria sobrevive, os desfiles acontecem, os coitadinhos aceitam participar de reality shows na TV, e alguns se sentem melhores que os outros por estar na primeira fila e, muito mais do que isso, a Europa e os Estados Unidos bancam os fodões, pra indústria do tecido girar e para o capitalismo “dizer” que ainda é a melhor solução. Nem que para isso as pessoas se tornem objetos, abajures enfeitando o canto da sala, insetos inocentes batendo a cabeça em pontos luminosos e, de tanto fazê-lo, estourando os miolos. Ai!!! Pronto, falei…

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Sotaque
por Annamaria Bonanomi
O baiano Marepe aterrissa em São Paulo com a mostra “Os Últimos Verdes”, na Galeria Luisa Strina. Com abertura programada para o dia 4 de agosto, a mostra traz nove trabalhos, entre esculturas, fotografias e vídeo, inspirados em lembranças de infância e nas cidades do sertão nordestino. Marepe, que explora em sua arte o cotidiano e objetos que fazem parte de dele, já expôs seus trabalhos em individuais no Centre Georges Pompidou, em Paris, e na Tate Modern, em Londres.

Veja mais obras aqui.
Keith Haring a fundo
por Zeca Gutierres
A produtora e curadora norte-americana Sharon Battat, da Litmedia Productions, é responsável por projetos relacionados à arte, moda e publicidade e está por trás da vinda da exposição de Keith Haring para o Brasil. Ela falou ao site sobre a vida e a obra do artista.
Quem é Keith Haring? “Ele é um dos ícones da pop art, da cultura urbana e do grafite. Conseguiu vencer o preconceito e levar os trabalhos que fazia nos metrôs nova-iorquinos para as galerias do arte. Além de ser um artista que influenciou muitas gerações, foi reconhecido pelo seu lado filantrópico. Ele usava o poder de comunicação de sua obra em prol de diversas causas sociais e humanitárias. Recentemente, um dos seus expressivos trabalhos ao lado da performática cantora jamaicana Grace Jones serviu de inspiração para a Vogue Brasil, que trouxe Isabeli Fontana na capa. Haring colaborou com Andy Warhol, Jean-Michel Basquiat, Kenny Scharf e Madonna, entre outros ícones pop.”
Como era a Nova York da época em que ele fez sucesso? “Nova York é uma cidade que muda muito, não tem muitas regras e, em geral, está sempre em busca de algo novo e fresco. No fim dos anos 70 e nos primórdios da década de 80, com o auge do punk e o inicio da corrente hip hop, Haring sabia como ninguém misturar a cultura da rua e da noite com o mundo da arte. Isso era algo novo. Se eu pudesse voltar no tempo, iria querer viver naquela época, poder sentir esse momento pelas ruas de NY. Para mim, foi uma época de intensa criatividade, de forte influência e relevante até hoje.”
Qual a principal marca do trabalho dele? “Sem duvida, o highlight do seu legado está na obra “Radient Baby” (Bebê Radiante), no desenho de cachorro e nos bonequinhos dançando.”
Ele teve um papel importante no combate à Aids. “Ele foi bem atuante nesta questão. Na época em que ele foi diagnosticado como portador da doença, não havia muita informação a respeito. Não se sabia ao certo o que era Aids e como era transmitida. Keith foi um dos artistas pioneiros na busca dessas respostas e isso ficou evidente em muitos dos seus trabalhos. 2010 marca os 20 anos de morte do artista, provocada por complicações pela doença. Contudo, antes de seu falecimento, ele ainda teve forças para criar uma Fundação. Ela é voltada para apoiar instituições e trabalhos de pesquisas focados na busca da cura da Aids. A Fundação Keith Haring atua também trazendo informações por meio de projetos educacionais aos portadores da doença. A exposição Selected Works vem celebrar essa importante contribuição e também resgatar todo o trabalho que Haring nos deixou, tendo como foco a sua relação com o vírus da Aids. Isso tudo me motivou a realizar, com a exposição, uma ação educativa reforçando a mensagem de Haring de se fazer chegar a todos – portadores ou não do vírus – uma informação preventiva e consciente sobre a doença. Essa ação educativa não trata-se apenas de uma homenagem à iniciativa dele de tempos atrás. O que busco é dar continuidade a um alerta. Precisamos sempre alertar que não existem motivos para não tomar cuidado! O nosso alerta também vem por meio de uma publicação onde reunimos testemunhos de diferentes pessoas e nacionalidades que contraíram o vírus e que decidiram compartilhar a sua luta diária de sobrevivência. Essa publicação traz também mensagens de Haring sobre a doença, informações de ONGs atuantes no assunto, lugares onde se pode fazer o teste ou mesmo buscar ajuda ou respostas às diversas questões.”
Como o trabalho dele é visto hoje no mundo? “Haring foi um dos artistas mais conhecidos pela pop art. Ainda que não se conheça o nome, o trabalho dele é fácil de ser identificado. Ele foi um dos poucos artistas que conseguiu ser comercial sem perder o prestígio e o respeito pela sua obra no mercado da artes. Ele foi realmente um inovador, e acho que muitos artistas de hoje se inspiram nisso. Um bom exemplo dessa corrente é Shepard Fairey. E Keith Haring, Jean-Michel Basquiat e Kenny Scharf foram considerados os grandes responsáveis por quebrar o preconceito que existia em relação à arte urbana do grafite nos anos 80. Haring acreditava que arte era para todo mundo e os lugares mais democráticos para ela chegar a todos, sem exceção, seriam as ruas e o metrô. Ele deixou muito de si para o mundo, ao criar uma nova forma de comunicação. O seu legado é incrível e graças a Julia Gruen, e a todos da Fundação Keith Haring, a obra dele está bem cuidada e, como ele queria, acessível.”
O que podemos esperar da exposição que chega ao Brasil? “Ela terá 94 obras que nunca foram expostas no país, algumas não conhecidas do grande público. Selecionei também alguns itens pessoais que contam um pouco da personalidade de Haring e alguns que marcam a sua passagem pelo Brasil. Haverá muita coisa interessante, mas prefiro não estragar a surpresa.”



Os nerds contra-atacam
da redação
Nem o poser Robert Pattinson nem o coxinha Taylor Lautner nem o megacoxinha Justin Bieber… O moço mais sexy de Hollywood hoje é um canadense grandão, com lábios vermelhinhos, desengonçado e com uma ótima voz. Cory Allan Monteith nasceu em 1982 e é um ator e cantor canadense. Ele vive Finn Hudson na série “Glee”, da Fox.

Anima o dia
por Sarah Maluf
Os fãs de animação já devem estar contando os dias em São Paulo. Mas, mesmo quem não é um expert na arte dos desenhos ou até quem se nega a assistir animações no cinema pode gostar do Anima Mundi – mostra de animação que tem início nesta quarta-feira, no Memorial da América Latina. Na programação deste ano, nomes consagrados como o canadense Cordell Barker – indicado a quatro Oscars – e o inglês Daniel Greaves – ganhador em Cannes – se unem para mostrar ao público as técnicas e segredos da animação. Quem passar pelo Memorial de quarta a domingo poderá conferir a exibição de curtas de diferentes países e acompanhar os encontros de quem entende do assunto. E pode esquecer a caretice dos desenhos que chegam às telonas. Na seleção do festival estão filmes premiados, com belo visual e roteiros inteligentes. Confira a programação completa aqui .
Passeio de Domingo, curta em stop motion do português José Miguel Ribeiro
Os Anjos do Meio da Praça, dirigido por Alê Camargo e Camila Carrossine


