Onspeed

Arquivo: junho, 2010

3X4
por Sarah Maluf

retrato2Enquanto todos os primos e irmãos ganhavam a vida longe dali, Antônio tinha a certeza de que algum dia as coisas dariam certo para ele. Casou com quem amava, criou os filhos com o pouco dinheiro que ganhava com a vendinha da família e era feliz. Mas a vida dá lá seus tropeços. Com a morte da mulher, o abandono dos filhos crescidos – que por influências dos tios também migraram para a América – e uma solidão que não tinha tamanho nem descrição, Antônio sei viu sozinho, falido e sem muita opção. O lugar que antes chamava com orgulho de lar estava tomado de incertezas, e a vendinha que dera lucros não se sustentava mais. Do outro lado da cerca, um mundo novo e promissor  mandava um convite irrecusável. Levado por um caminho traçado, desses que não se tem muito como escapar, ele foi. Na mala, roupas e lembranças brigavam por espaço. Chegou como todo clandestino: sem dinheiro, sem pátria, sem origem. Era latino, ponto. Assim como todos, percebeu aos poucos que ali ele não era ninguém. Já não era mais o “Seu Antônio da venda”, o “vizinho da casa verde”, o “marido de Dona Yeda” e pai de cinco filhos. Ali, nem sequer nome e sobrenome podia ter. Morava, trabalhava e sofria sem que ninguém o notasse. Os filhos já eram pais e um velho como ele já não tinha mais espaço entre os deslumbres de uma vida vendida. Sem alma, entregue à condição de invasor, percebeu que o preço que pagava por estar ali era abrir mão de ser quem ele sempre fora. Tomado de um conformismo raivoso, jogou para o alto as fotos e recordações do que algum dia lembrava ser. E foi ali, nas ruas de Nova York, que Antônio se deixou morrer. Como que impresso nas calçadas largas ficaram as reproduções de uma identidade perdida.

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[As fotos da categoria RETRATO foram achadas em lixos e ruas e o fotógrafo Paulo Otero as guarda como arquivo de memórias esquecidas. O texto, por sua vez, é ficção]

escrito por Guti

junho 23, 2010 às 11:31 pm

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Meio de campo
por Zeca Gutierres

pop1O país que criou o futebol criou também o rádio. E foi o primeiro a difundir os jogos com aqueles homens tagarelando feito loucos para deixar o ouvinte em cima do lance. Foi em Cambridge, Inglaterra, que um certo James Clerck Maxwell trouxe, mesmo que teoricamente, o conceito de ondas de rádio. Isso lá em 1863. Mas foi só em 1887 que o rádio saiu do papel e ganhou o espaço por meio do alemão Henrich Rudolph Hertz (1857-1894). Londres lançou a primeira companhia de rádio, no final do século 19. No Brasil foi um padre-cientista, Landell de Moura, que colocou a invenção na roda: em 1990 ele conseguiu uma patente da invenção por aqui… Só que a primeira transmissão radiofônica oficial no Brasil aconteceu durante o dircurso do presidente Epitácio Pessoa, no Rio, em comemoração do centenário da Independência do Brasil, no dia 7 de setembro de 1922. Mas bom de locução mesmo foram os Estados Unidos com sua “Era do Rádio”: de quatro emissoras em 1921, eles passaram a ter 382 no final de 1922. E como antigamente não havia televisão, jogo de futebol era “assistido” pelo rádio. Oduvaldo Cozzi foi um dos locutores conhecidos do Brasil. Rádio Nacional e a Rádio Globo eram as campeãs, ambas do Rio de Janeiro. Ary Barroso é outro nome que os vovôs devem se lembrar. Descobri também que outro grande locutor da história foi Pedro Luiz, que narrou o primeiro tempo do jogo Brasil X Suécia na final da Copa de 1958. Outros nomes? João Saldanha, Geraldo José de Almeida (que dizem ser o “pai” do Galvão Bueno) e por aí vai… É interessante perceber que o método de narrar pelo rádio não mudou muito nas últimas décadas, com chavões engraçados como a puxada do “R”, a passagem de “bola” pro comentarista e o “gooooool” bem comprido. É quase uma linguagem alienígena, que a gente só decifra se presta atenção no jogo de palavras. E o cara tem de ser CDF em futebol para explicar os lances e saber quem é quem em meio a africanos, holandeses, japoneses e neozelandeses. Por mais ultrapassado que pareça, narrar futebol pelo rádio é uma prática viva, a começar pelo interiorzão e, mais do que isso, no enorme trânsito de São Paulo, onde o rádio encontrou fôlego para sobreviver.

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Ary Barroso: voz do Brasil

escrito por Guti

junho 23, 2010 às 5:53 pm

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Menina esperta
da redação

girlie1A antenada Malu Monteiro, que trabalha com moda em São Paulo há mais de dez anos, é quem comanda o coletivo S.O.F.T, que reúne novos estilistas e marcas já conhecidas. Com conceito de Pop Up Store, a loja itinerante trará coleções novas e antigas de marcas como Amapô, By Boogie, British Made, Vi&Co, 011, Tatiana Gorentzvaig, Stone Bonker, Camila Brandão, Brancheé, Absurda etc. Até roupas vintage de Adriana Recchi, Lara Gerin e Marina Dias estarão à venda na abertura do projeto. Onde? Na Rua Galeno de Revoredo, 95, Itaim Bibi. Em uma casa bem charmosa e tranquila, é bom dizer. Quando? De 28 de junho a 4 de julho, das 10hs as 18hs. Mas é bom correr pra pegar as melhores peças. Infos? coletivosoft@gmail.com.

malu

escrito por Guti

junho 23, 2010 às 11:29 am

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Fale com eles
por Zeca Gutierres

pop1Uma pesquisa recente, que eu li nem sei onde, dá conta de que o número de pessoas que deixam comentários em textos na internet está caindo, principalmente porque os mais jovens não gostam muito da ferramenta. Bom, o que podemos dizer é que, sempre que há um comentário no OnSpeed, ficamos felizes da vida. Por isso, não deixe de opinar no final das nossas matérias. Elogios, críticas, sugestões…

telefone

escrito por Guti

junho 22, 2010 às 5:02 pm

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Fase nova
da redação

arte116Agora que ganharam o mainstream, os grafiteiros paulistanos apostam em outras técnicas além da pintura. A porta se abriu de vez na exposição “De dentro para fora/ De fora para dentro”, no Masp, da qual Zezão fez parte. E ele expõe muito mais do que grafite na Choque Cultural, na mostra “Vari Ações Urbanas”. Reúne, além das tags pintadas no subterrâneo e em materiais como madeira, papel e bases enferrujadas, que fizeram dele figura conhecida no país, instalações de madeira e placas em desuso. Zezão criou também uma videoinstalação e aposta em fotografias na exposição que vai de 26 de junho a 7 de agosto na Choque - Rua João Moura, 997, Pinheiros, São Paulo, telefone: (11) 3061-4051. Anote aí!

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escrito por Guti

junho 22, 2010 às 4:29 pm

postado em ARTE

Entrevista com Nina Pandolfo
por Zeca Gutierres

arte116OnSpeed – Como era grafitar em 1992, quando você começou? Nina Pandolfo – “Bom, naquela época era tudo novo, estava descobrindo este mundo. Tive que aprender improvisando muito material. Era super divertido sair para pintar nos fins de semana. Eram poucos que pintavam naquela época e todos eram meio que amigos ou se conheciam. Agora existe vários tipos de cap, vários tipos de spray, cores… Antes até misturar cor de spray cheguei a misturar… Hoje você tem uma grade de cores de spray absurda. Temos até lojas especializadas em graffiti. Antes as informações passavam de boca a boca. Era uma delicia!”

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OnSpeed – Sofreu discriminação por ser grafiteira? Nina – “Não. Que eu me lembre, não.”

OnSpeed – Você acreditava que o grafite iria parar em galerias de arte? Nina – “Nunca cheguei a pensar nisto, mas antes de fazer graffiti eu pintava telas, mas, mesmo assim, quando comecei no graffiti, não sabia nem onde ia dar tudo aquilo.”

OnSpeed – “Muitos artistas, como o Alex Vallauri, usaram do grafite para trabalhar. Qual sua relação com eles? Tem os preferidos? Nina – “Bom, se você diz sobre os artistas antigos, não tive muito contato com eles…”

OnSpeed – Qual lugar (impossível) do mundo você gostaria de grafitar? Nina – “Não sei se existe um lugar impossível de pintar, sempre há um jeito.”

OnSpeed – Conte um pouquinho da sua nova individual. O que mudou no seu trabalho? Nina – “Bom, nesta nova individual, estou vendo um amadurecimento em meus personagens, estou usando muito mais pincel para pintar, como antigamente eu usava. Estou provando novas opções para acrescentar em minhas telas… Está sendo uma delícia todo o processo de produção. Estou curtindo muito este momento e adorando o resultado.”

Nina Pandolfo expõe a partir do dia 1 de julho na Galeria Leme, em São Paulo.

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Foto: Ursula Bahia

escrito por Guti

junho 21, 2010 às 11:46 am

postado em ARTE

Flores em você
da redação

modaBonito, bem vestido e inteligente, Scott Ramsay Kyle tem 28 anos e já sabe que este é o ano dele. Nascido em East Kilbride, o estilista estudou na Glasgow School of Art e logo depois se mudou para a Central St. Martins, em Londres. No mesmo ano, foi convidado para fazer parte do Glasgow Collective na London Fashion Week. Apaixonado por bordados e apliques, desde pequeno gostava de criar e costurar, mas foi em Glasgow que descobriu um verdadeiro universo de oportunidades. Como nem tudo são rosas, já precisou conciliar o trabalho de stylist com o de garçom para conseguir pagar as contas. Obcecado pelo que faz, o estilista teve a estreia na London Fashion Week, em 2009, superelogiada. Para este ano, ele planeja uma pequena coleção que será lançada em setembro. Ah, e o estilista marca presença em breve aqui no OnSpeed, em ensaio clicado pela fotógrafa Cassia Tabatini.

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escrito por Guti

junho 18, 2010 às 12:47 pm

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She’s Back!
por Luis Da Silva aka Pardal

londresDepois de vários anos sem nenhum disco, tirando colaborações com o Massive Attack, Tracey Thorn está de volta. É mais conhecida como a outra parte do Everything But The Girl, com seu partner, Ben Watt. Foi um longo período sem gravar, que ela tirou para cuidar dos filhos e do marido. Tracey volta com o álbum “Love and its Opposite”. Musicalmente, lembra muito sua primeira fase antes do E.B.T.G, quando tinha um grupo chamado Marine Girls. Ela volta para o “back to basics”. Nada moderno: tudo muito simples, mas altamente perfeito. Ela canta sobre divórcios (não o dela, pois continua bem casada), filhos crescendo, roupas que não servem mais, ir a bares sozinho à procura de um amor, crise de idade. Tudo bem familiar, não?

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escrito por Guti

junho 18, 2010 às 11:13 am

postado em LONDRES, MÚSICA