Arquivo: dezembro, 2009
A arte da trucagem
por Pedro Venceslau
Dizem as péssimas línguas que Dona Marisa, a primeira-dama que está ficando a cara da Marta Suplicy, pediu para Dilma trazer uma Nha Benta de Copenhague. Maldades à parte, todo mundo sabe que a ministra da Casa Civil entende tanto de meio ambiente quanto a Mulher Samambaia. Mesmo assim é ela quem está comandando a delegação brasileira na conferência do clima. Aliás, de clima a Dinamarca entende. Trata-se da capital mundial da sacanagem. Quem nunca assistiu um bom pornô dinamarquês que jogue o primeiro… deixa para lá. Esse lance de “truque” é supernatural. Dar um “truksfield” é comum nas melhores famílias. Repara só o fotógrafo Thiago Lacerda na novela “Viver a Vida”. Sempre de chapéu Indiana Jones, ele faz a linha dedo nervoso. Clica tudo o que vê na frente. Alguém realmente acredita que o moço roda o mundo vendendo umas fotinhos de cartão postal? Mais truque ainda é o amigão dele, o quase figurante Rodrigo Hilbert. Eita amizade fake. Quem é que fica dando “touch” toda hora, me conta? Alô, Maneco. É preciso de química também entre amigos. E fala a verdade: quantas vezes você, amiga leitora, foi encontrada por um rapaz bonitão daqueles bêbados virando os zóio na sarjeta e levada imediatamente para ver o pôr do sol e voar de asa delta? Pois foi isso que ele fez com a Bárbara Paz. E ela nem vomitou. Outro truqueiro que eu a-d-o-r-o é o Jesus Pinto da Luz. Da noite para o dia o menino deixou de ser um poste de poli dance para virar o DJ mais bem pago do Brasil usando (dizem por aí) um CD mixado. E o melhor. Ele faz sua “discotecagem” na night sempre usando óculos escuros. Tipo os meninos do KLB, saca? Outro dia, o sr Madonna recebeu um cachê de R$ 30 mil para apertar o play no iPod durante o Ceará Music Festival. E outros R$ 18 mil para trucar meia horinha no clube Green Valley, em Camboriú. Será que se a namorada dele fosse a Rita Cadilac o cachê seria tão alto? Ok, ok, ok. Aquele abdome de quem nunca tomou um chope na vida ajuda. Mas truque bom mesmo é com o Pai Sergio. Todo santo dia ele publica um anúncio oferecendo seus serviços nos classificados dos jornais do Rio. Que serviços? UTI Espiritual, cura da impotência, devolução do amor perdido (e melhor do que era antes) e por aí vai. O slogan dele é precioso: “A Casa do Famoso Pai Sergio Duarte de Souza Ogum, o Fenômeno – é fácil falar de mim, difícil é ser eu”. E tem promoção também, gente. As 25 primeiras pessoas que ligarem lá e disserem a frase: “Pai Sergio acertou a previsão do jogo do Flamengo” ganham um champagne consagrado. Da marca Cerezer, claro.

À primeira vista
por Wagner Gorab
Saiu nesta semana o ranking da “Advertising Age” com as melhores capas de revista da década. São critérios diferentes para cada publicação, mas, na maioria dos casos, está a inovação gráfica ou uma imagem surpreendente. Em tempos de infográficos elaborados e Photoshop, destacam-se os cliques clássicos. Entre eles, o de Steve McCurry para a “National Geographic” . Em 2002, depois de 17 anos que produziu uma das imagens mais célebres da publicação, o fotógrafo localizou a afegã refugiada Sherbat Gula, personagem da capa de 1985, nas montanhas perto de Tora. Na época da primeira imagem, o fotógrafo desconhecia até mesmo o nome da personagem. Depois de um árduo trabalho conseguiu achá-la e eternizou mais um momento da própria história. Barack Obama aparece em um instante de espontaneidade e leveza na capa da “Rolling Stone” de 2008. Sem uma linha sequer, a capa traz a imagem do então pré-canditado à presidência logo após ser indicado pelos democratas. Essa capa também foi escolhida como “Cover of the Year” pela American Society of Magazine Editors. Na lista das capas fotográficas ainda figuram o casal Brad e Angelina na chegada do rebento, na “People”, em 2006, que custou aos cofres da Time nada menos que US$ 4 milhões – doados pelo casal para caridade. E ainda Nicole Kidman em momento glamour para a “Vogue”, clicada pelo mestre Irving Penn, que começou a fotografar para a publicação em 1943 e morreu aos 92 anos, em 2009. Confira abaixo!

Lábios de mel
por Cacá Di Guglielmo

Nós ja tínhamos falado do Chew Lips aqui no canal de música do OnSpeed há um bom tempo, mas como perdemos os posts antigos por causa da mudança de servidor do site, achei que valeria dar uma nota novamente por conta do novo vídeo deles, “Seven”, cheio de efeitos especiais. O primeiro álbum do trio Inglês, o “Unicorn”, saí agora em janeiro, e pelo sucesso que os primeiros singles lançados pela gravadora Kitsuné fizeram, eles já despontam com uma das revelações de 2010. Enjoy!
De lambuja
por Zeca Gutierres
O Espaço Caixa Cultural fica no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, e sempre oferece exposições de bom gosto. Desta vez são 34 gravuras de Amilcar de Castro, parte da coleção Allen Roscoe e Thais Helt, de Belo Horizonte. Foi no ateliê da artista mineira que ele desenvolveu grande parte da obra litográfica. São diferentes agrupamentos de gravuras, ora grandes ora pequenas. A apresentação é inédita e gratuita, como tudo que acontece no Caixa Cultural. A mostra vai até 7 de fevereiro.





A revitalização
da redação
Como anda o clima na Praça Roosevelt depois da violência sofrida contra o dramaturgo Mario Bortolotto, que levou um tiro depois de uma tentativa de assalto? OnSpeed foi até a região para mostrar que, apesar de abalados, os frequentadores e agitadores culturais estão recuperando a energia. Confira as fotos no canal À Noite.

New retrô
por Cacá Di Guglielmo

Será que essa onda oitentista que explodiu no começo dos anos 2000 com o electroclash ainda tem fôlego pra completar dez anos? Fato é que as bandas que bebem nessa fonte aparentemente inesgotável ainda pipocam aos montes mundo afora. Nada de novo aparece há tempos e, verdade seja dita, as pessoas tendem a gostar mais de música que tenham letras. Cantar junto é sempre mais divertido. Um dos nomes mais recentes a aparecer nessa praia é o Tesla Boys – nome explicitamente tirado da música “Tesla Girls”, da banda de technopop OMD – que abusa não só da sonoridade daquela década, como no visual também. A música é um eletrinho cheio de teclados e vozes distorcidas. Não é exatamente ruim, mas confesso que preferia escutar algo mais fresco e inédito. O álbum eles vão lançar em 2010, talvez no fim da era 80’s. Se vai ter sucesso ou não, o tempo vai dizer. Naturalmente, os ventos sopram agora pros anos 90.
* Será que teremos que aguentar trance até 2020??
Toy art
por Cacá Di Guglielmo

A banda francesa Toy Fight começou como um trio em 2007. Depois de alguns EPs e não alcançarem o sucesso desejado, eles quase desistiram de fazer música. Até que o selo City Slung propôs lançar um álbum. Então juntaram mais três músicos e em julho deste ano soltaram “Peplum”, um ótimo álbum de indie/folk com muita percussão, banjo, piano e músicas inspiradas na linha de Arcade Fire e Magic Numbers, duas das bandas mais conhecidas nesse estilo. “Nós vimos que ainda gostávamos das músicas que tínhamos feito antes”, diz Sebastien, vocalista, “e seria frustrante deixar pra trás. Isso nos fez querer gravar um álbum em que estivéssemos 100% satisfeitos. Claro que seria impossível, mas esse é outro problema”, completa. Eles continuam independentes e fora do mainstream, o que é ótimo pra criatividade, sem a pressão do sucesso e das grandes gravadoras.
* E ótimo pra nós também. Ouça aqui.
Em movimento
por Annamaria Bonanomi
Falar da trajetória de Abraham Palatnik é falar da arte dele. Brasileiro filho de judeus, nascido em Natal (RN), Palatnik viveu em Tel Aviv, onde estudou pintura, desenho, história e filosofia da arte na mesma época em que fazia um curso de motores à explosão. De volta ao Brasil, após ter servido o exército britânico na Segunda Guerra Mundial, começou aplicar estes conhecimentos na construção de engrenagens em “Aparelhos Cinecromáticos”, esculturas bidimensionais que brincam com o movimento através do jogo de luz. Lembram o trabalho do americano Alexander Calder (1898-1976). Palatnik tornou-se um dos precursores da arte cinética, mas também explorou uma diversidade de técnicas ao longo dos anos, como resina de poliéster, cordas sobre telas, madeira e instalações elétricas. Estas obras estão expostas no Itaú Cultural, em São Paulo, com entrada franca, até 10 de janeiro.



