Arquivo: dezembro, 2009
A nossa Londres
por Luis Da Silva aka Pardal
Final de ano e também de década: nada melhor do que revisitar o que aconteceu de bom aqui em Londres. Claro, seria impossível citar tudo o que rolou este ano na cidade… E, como sempre, uma lista é sempre boa para refrescar a nossa memória.
Restaurante: Hix. Depois de vários anos como chef dos melhores restaurantes como The Ivy, Scotts e Le Caprice, Mark Hix resolveu abrir o próprio espaço trazendo “classic british dishes” com uma tempero moderno. É muito aprovado por críticos e artistas. Tracey Emin, por exemplo. e fã. Site oficial.

Banda: The XX. De South London, traz esperança para 2010. Saiba mais aqui.

Show: Girls no Hoxton Square Bar. Esta banda de São Francisco fez um show íntimo num lugar pequeno, mas com grande energia. Outra banda para prestar a atenção no próximo ano.

Exibição: Ed Ruscha. Com a primeira retrospectiva em Londres, o papa do pop art ainda está à mostra até fevereiro. Não perca! Saiba mais aqui.
Álbum: The Horrors. Estes garotos de Southend têm um álbum maduro e que foi produzido por Geoff Barrow, do Portishead.
Menswear: Oliver Spencer. Uma vitória para esta marca pequena e com estilo bem clássico e britânico, mas nunca “over the top” ou “too fashion”. A cada ano ganha muitos fãs à procura de qualidade e individualidade. Site oficial.

Melhor City Break: Palma de Mallorca, na Espanha. Com voos saindo agora do City Airport (3 hours door to door), é fácil passar o fim de semana na praia. Há vários hotéis-boutique e restaurantes. Palma é tudo que os moradores de Londres merecem depois de uma semana inteira de trabalho.
Melhor Pizza: East Pizza. Claro, depois de vários pints, nada melhor do que uma pizza. O East Pizza é a solução. É dos mesmos proprietários do Soho House e fica em Shoreditch. Pizzas na sexta à noite sem cair a classe. Site oficial.

Festival de Música: Field Festival. Ele acontece todo verão no Victoria Park, com mais de 50 artistas e bandas. Este evento deixa qualquer um “up to date” com as melhores bandas para os próximos anos. Site oficial.
Melhor jornal: (1) “The Guardian” às sexta feiras, com as melhores críticas de arte e cultura. (2) “The Financial Times” aos sábados, com tudo o que você precisa saber sobre dinheiro – além de restaurantes, moda, viagens, livros etc…
Website: Ponystep. Para os fahionistas, clubbers e moderninhos em geral, aqui é onde se acha assunto para impressionar os amigos com várias novidades sobre tudo o que acontecerá nos próximos meses em Londres. Site oficial.

…E, como sempre, a lista é pessoal e poderia ser bem maior…
Melhor a gente parar por aqui. E Happy New Year!!!
Feliz Natal
por Cadú Coppini
Panetone Lovers!
por Dafna Blaschkauer
Uma coisa é fato: não há como resistir aos aromas e sabores de uma boa fatia de panetone! E nesta época do ano, eles ficam ainda mais irresistíveis! Para ajudar os leitores do Paladar, compartilho aqui informacoes frescas para facilitar a vida… e evitar calorias!
1. Fasano: O panetone da grife de restaurantes com casas em SP e RJ é realmente delicioso! Massa leve, cheia de furinhos e extremamente aromática! Tem frutas secas saborosas e em quantidade, além de uma delicada cobertura açucarada e crocante de castanha de caju. Curiosidade: é feito segundo a receita familiar, mas produzido pela Bauducco. R$ 55 o de 1 quilo. Site oficial.
2. Kopenhagen: Como sempre, o diferencial aqui é a qualidade da matéria-prima e a quantidade de recheio que vem, sem miséria! Recomendo experimentar o Panetonne Mousse Cherry (650g) R$ 39,90 o de 550g, ou Premium de Avela (1200g) a R$ 75, cuja caixa parece uma joia! E fiquem atentos à promoção especial de Natal: nas compras acima de R$ 39,90, com mais R$ 9,90, você ganha grandes nomes da literatura e da música em um livro e DVD exclusivos. E quem comprar com Mastercard leva o livro e o CD de graça! Site oficial.
3. Amor aos Pedaços: É fã de brigadeiro? Não pense duas vezes!! Prove o panetone recheado com o tradicional brigadeiro e coberto com chocolate ao leite e granulado! É bem recheado, o gosto lembra o brigadeiro de colher, com aroma agradável e harmonia perfeita. Preço: R$ 42 o de 750g. Site oficial.
4. Ofner: A grande pedida aqui é o recém-lançado panetone de gianduia! Com recheio em quantidade na medida, conquista os mais variados paladares… Preço: R$ 52,90 o quilo. E para aqueles que precisam controlar as taxas de açúcar, recomendo o Panetone Zero, pois não contém açúcar e tem 28% menos calorias do que o tradicional. Peso: 750g. Preço: R$ 30,90. Site oficial.
5. Bauducco: Mantém todos os anos o alto padrão de qualidade! Uma das marcas mais tradicionais de panetone do Brasil continua acertando no sabor, na harmonia e, principalmente, no custo-benefício! Para os chocólatras de plantão, recomendo o Chocotonne Ediçao Especial, que, além das gotas de chocolate, tem cobertura. Peso: 550g. Preço: R$ 13,49 o de 500g. Site oficial.

E Feliz Natal a todos! HO,HO,HO!!!
Design nas pick ups
Houssein Jarouche, o homem do design brasileiro, dono da loja MiCasa e incentivador da área, foi o convidado de Ricardo Oliveros para tocar na noite Just in Case, nessa terça-feira (22/12), no D-Edge. O site OnSpeed foi lá fotografar a noite. Abaixo, o DJ Audioviva, que OnSpeed tanto gosta!

Dor no peito
por Zeca Gutierres
Eu me encantei com Brittany Murphy em “Garota, Interrompida”. Da mesma forma que com Angelina Jolie. Nem preciso dizer o mesmo de Winona Ryder, de quem sempre fui fã. Mas Brittany tinha um papel especial no filme. Fazia uma moça problemática, perturbada pelo abuso do pai, e que afogava as dores na comida e nos antidepressivos. A morte da atriz é mais uma fatalidade em Hollywood. É como a de Heath Ledger. Gente talentosa morrendo muito jovem. Dizem que com ela foi por ataque cardíaco, mas já estão falando de excesso de remédios para depressão.

O nascimento
por Annamaria Bonanomi
O exato momento em que o ser rompe ou tenta romper a barreira que o separa do mundo: é esta a impressão que as instalações do italiano Loris Cecchini passam. A de algo prestes a emergir ao mundo, com força constante e determinação. Entre os principais artistas contemporâneos da Itália, Cecchini manipula a matéria, seja ela plástico, resina, borracha, celulose ou até chiclete. O resultado, que você vê abaixo, são instalações intrigantes que revelam somente partes do ser prestes a nascer.



Saudade da nonna
por Dafna Blaschkauer
Existe algo mais gostoso do que comer uma deliciosa massa no almoço de domingo? Veja abaixo algumas opções entre cantinas e restaurantes italianos de São Paulo!
Due Cuochi Cucina – Experimente o saboroso ravioli recheado com queijo burrata ao azeite de ervas (preço: R$ 42), coberto com speck italiano e rúcula! A massa derrete na boca e o azeite dá um toque especial! Um bom vinho para acompanhar este prato é o Rioja Reserva branco. Site oficial.
Aguzzo – Se você gosta de lasanha, aqui é a bolonhesa! Principalmente se gostar de uma massa fina, com recheio delicado e um autêntico molho de tomate fresco! Preço: R$ 44. E para acompanhar, o Chianti Classico! Site oficial.

Pomodori – Ravioli surpresa: perfeita combinação de ravioli com quiabo (R$ 49)! Esta dupla conhecida de nosso interior ganha roupagem italiana de especial delicadeza, na qual a baba do quiabo não tem vez! A pasta fresquíssima é acobertada por molho roti e acolhe por dentro a dupla frango-quiabo com perfeita integração! O bom vinho é um Riesling Trocken. Site oficial.

Tappo Trattoria – Gosta de massa com peixe? A pedida é a pasta con le sarde (R$ 37)! Harmoniosa combinação do frescor da sardinha com o adocicado da uva-passa sob a escolta do tomate. Simplesmente divino! Para acompanhar, um vinho branco da Sicilia cai como uma luva! Fica na Rua da Consolação, 2967.

Fasano – Você com certeza vai se perder no cardápio… E para facilitar a vida, não hesite em pedir o ravioli de pato (R$ 77). É um prato leve, com uma massa fina de qualidade supra! O molho de laranja é bastante cítrico, agridoce, num balanço que estimula ânimos para lamber o prato! Vinho indicado: um branco com madeira. Site oficial.

Buon appetito!!!
Publi
A arte da trucagem
por Pedro Venceslau
Dizem as péssimas línguas que Dona Marisa, a primeira-dama que está ficando a cara da Marta Suplicy, pediu para Dilma trazer uma Nha Benta de Copenhague. Maldades à parte, todo mundo sabe que a ministra da Casa Civil entende tanto de meio ambiente quanto a Mulher Samambaia. Mesmo assim é ela quem está comandando a delegação brasileira na conferência do clima. Aliás, de clima a Dinamarca entende. Trata-se da capital mundial da sacanagem. Quem nunca assistiu um bom pornô dinamarquês que jogue o primeiro… deixa para lá. Esse lance de “truque” é supernatural. Dar um “truksfield” é comum nas melhores famílias. Repara só o fotógrafo Thiago Lacerda na novela “Viver a Vida”. Sempre de chapéu Indiana Jones, ele faz a linha dedo nervoso. Clica tudo o que vê na frente. Alguém realmente acredita que o moço roda o mundo vendendo umas fotinhos de cartão postal? Mais truque ainda é o amigão dele, o quase figurante Rodrigo Hilbert. Eita amizade fake. Quem é que fica dando “touch” toda hora, me conta? Alô, Maneco. É preciso de química também entre amigos. E fala a verdade: quantas vezes você, amiga leitora, foi encontrada por um rapaz bonitão daqueles bêbados virando os zóio na sarjeta e levada imediatamente para ver o pôr do sol e voar de asa delta? Pois foi isso que ele fez com a Bárbara Paz. E ela nem vomitou. Outro truqueiro que eu a-d-o-r-o é o Jesus Pinto da Luz. Da noite para o dia o menino deixou de ser um poste de poli dance para virar o DJ mais bem pago do Brasil usando (dizem por aí) um CD mixado. E o melhor. Ele faz sua “discotecagem” na night sempre usando óculos escuros. Tipo os meninos do KLB, saca? Outro dia, o sr Madonna recebeu um cachê de R$ 30 mil para apertar o play no iPod durante o Ceará Music Festival. E outros R$ 18 mil para trucar meia horinha no clube Green Valley, em Camboriú. Será que se a namorada dele fosse a Rita Cadilac o cachê seria tão alto? Ok, ok, ok. Aquele abdome de quem nunca tomou um chope na vida ajuda. Mas truque bom mesmo é com o Pai Sergio. Todo santo dia ele publica um anúncio oferecendo seus serviços nos classificados dos jornais do Rio. Que serviços? UTI Espiritual, cura da impotência, devolução do amor perdido (e melhor do que era antes) e por aí vai. O slogan dele é precioso: “A Casa do Famoso Pai Sergio Duarte de Souza Ogum, o Fenômeno – é fácil falar de mim, difícil é ser eu”. E tem promoção também, gente. As 25 primeiras pessoas que ligarem lá e disserem a frase: “Pai Sergio acertou a previsão do jogo do Flamengo” ganham um champagne consagrado. Da marca Cerezer, claro.

À primeira vista
por Wagner Gorab
Saiu nesta semana o ranking da “Advertising Age” com as melhores capas de revista da década. São critérios diferentes para cada publicação, mas, na maioria dos casos, está a inovação gráfica ou uma imagem surpreendente. Em tempos de infográficos elaborados e Photoshop, destacam-se os cliques clássicos. Entre eles, o de Steve McCurry para a “National Geographic” . Em 2002, depois de 17 anos que produziu uma das imagens mais célebres da publicação, o fotógrafo localizou a afegã refugiada Sherbat Gula, personagem da capa de 1985, nas montanhas perto de Tora. Na época da primeira imagem, o fotógrafo desconhecia até mesmo o nome da personagem. Depois de um árduo trabalho conseguiu achá-la e eternizou mais um momento da própria história. Barack Obama aparece em um instante de espontaneidade e leveza na capa da “Rolling Stone” de 2008. Sem uma linha sequer, a capa traz a imagem do então pré-canditado à presidência logo após ser indicado pelos democratas. Essa capa também foi escolhida como “Cover of the Year” pela American Society of Magazine Editors. Na lista das capas fotográficas ainda figuram o casal Brad e Angelina na chegada do rebento, na “People”, em 2006, que custou aos cofres da Time nada menos que US$ 4 milhões – doados pelo casal para caridade. E ainda Nicole Kidman em momento glamour para a “Vogue”, clicada pelo mestre Irving Penn, que começou a fotografar para a publicação em 1943 e morreu aos 92 anos, em 2009. Confira abaixo!

Lábios de mel
por Cacá Di Guglielmo

Nós ja tínhamos falado do Chew Lips aqui no canal de música do OnSpeed há um bom tempo, mas como perdemos os posts antigos por causa da mudança de servidor do site, achei que valeria dar uma nota novamente por conta do novo vídeo deles, “Seven”, cheio de efeitos especiais. O primeiro álbum do trio Inglês, o “Unicorn”, saí agora em janeiro, e pelo sucesso que os primeiros singles lançados pela gravadora Kitsuné fizeram, eles já despontam com uma das revelações de 2010. Enjoy!
De lambuja
por Zeca Gutierres
O Espaço Caixa Cultural fica no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, e sempre oferece exposições de bom gosto. Desta vez são 34 gravuras de Amilcar de Castro, parte da coleção Allen Roscoe e Thais Helt, de Belo Horizonte. Foi no ateliê da artista mineira que ele desenvolveu grande parte da obra litográfica. São diferentes agrupamentos de gravuras, ora grandes ora pequenas. A apresentação é inédita e gratuita, como tudo que acontece no Caixa Cultural. A mostra vai até 7 de fevereiro.





A revitalização
da redação
Como anda o clima na Praça Roosevelt depois da violência sofrida contra o dramaturgo Mario Bortolotto, que levou um tiro depois de uma tentativa de assalto? OnSpeed foi até a região para mostrar que, apesar de abalados, os frequentadores e agitadores culturais estão recuperando a energia. Confira as fotos no canal À Noite.

New retrô
por Cacá Di Guglielmo

Será que essa onda oitentista que explodiu no começo dos anos 2000 com o electroclash ainda tem fôlego pra completar dez anos? Fato é que as bandas que bebem nessa fonte aparentemente inesgotável ainda pipocam aos montes mundo afora. Nada de novo aparece há tempos e, verdade seja dita, as pessoas tendem a gostar mais de música que tenham letras. Cantar junto é sempre mais divertido. Um dos nomes mais recentes a aparecer nessa praia é o Tesla Boys – nome explicitamente tirado da música “Tesla Girls”, da banda de technopop OMD – que abusa não só da sonoridade daquela década, como no visual também. A música é um eletrinho cheio de teclados e vozes distorcidas. Não é exatamente ruim, mas confesso que preferia escutar algo mais fresco e inédito. O álbum eles vão lançar em 2010, talvez no fim da era 80’s. Se vai ter sucesso ou não, o tempo vai dizer. Naturalmente, os ventos sopram agora pros anos 90.
* Será que teremos que aguentar trance até 2020??
Toy art
por Cacá Di Guglielmo

A banda francesa Toy Fight começou como um trio em 2007. Depois de alguns EPs e não alcançarem o sucesso desejado, eles quase desistiram de fazer música. Até que o selo City Slung propôs lançar um álbum. Então juntaram mais três músicos e em julho deste ano soltaram “Peplum”, um ótimo álbum de indie/folk com muita percussão, banjo, piano e músicas inspiradas na linha de Arcade Fire e Magic Numbers, duas das bandas mais conhecidas nesse estilo. “Nós vimos que ainda gostávamos das músicas que tínhamos feito antes”, diz Sebastien, vocalista, “e seria frustrante deixar pra trás. Isso nos fez querer gravar um álbum em que estivéssemos 100% satisfeitos. Claro que seria impossível, mas esse é outro problema”, completa. Eles continuam independentes e fora do mainstream, o que é ótimo pra criatividade, sem a pressão do sucesso e das grandes gravadoras.
* E ótimo pra nós também. Ouça aqui.
Em movimento
por Annamaria Bonanomi
Falar da trajetória de Abraham Palatnik é falar da arte dele. Brasileiro filho de judeus, nascido em Natal (RN), Palatnik viveu em Tel Aviv, onde estudou pintura, desenho, história e filosofia da arte na mesma época em que fazia um curso de motores à explosão. De volta ao Brasil, após ter servido o exército britânico na Segunda Guerra Mundial, começou aplicar estes conhecimentos na construção de engrenagens em “Aparelhos Cinecromáticos”, esculturas bidimensionais que brincam com o movimento através do jogo de luz. Lembram o trabalho do americano Alexander Calder (1898-1976). Palatnik tornou-se um dos precursores da arte cinética, mas também explorou uma diversidade de técnicas ao longo dos anos, como resina de poliéster, cordas sobre telas, madeira e instalações elétricas. Estas obras estão expostas no Itaú Cultural, em São Paulo, com entrada franca, até 10 de janeiro.



Susana Vieira e a primeira pessoa do singular
por Pedro Venceslau
Quem não tem pelo menos um amigo “egotriper” que jogue o primeiro espelho. Egotriper é aquele sujeito que não aguenta permanecer dez minutos em um diálogo sem contar pelo menos uma passagem pessoal mais interessante, mais ousada ou mais reluzente que a do interlocutor. Os mais discretos ainda inventam artimanhas mil para falar bem de si sem dar bandeira. Um exemplo. Seu amigo Astolfo (nome fictício) está contando um causo que envolve alguém importante da alta sociedade. Ele precisa muito dizer (mas sem falar) que é íntimo do sujeito. Existem duas opções. A primeira, mais descarada, é dizer na cara dura: “…aí o Senador – que é um querido, um fofo, um super amigo que me adora – foi lá e disse…”. A outra, menos escandalosa, é assim: “Então o Senador virou e disse: Astolfinho, o negócio é o seguinte…”. Não raro, o Senador em questão mal conhece o Astolfo. Ou conhece apenas o suficiente para responder “ah, sim , sei quem é..” se algum dia for confrontado com tamanha intimidade. Alguns jornalistas também não resistem a incontrolável vontade de sem meter no meio da história e roubar a cena. Nesses casos, é comum ler coisas do tipo “Fulano então virou-se para este repórter e, às gargalhadas , disse…”. Simples assim. O acréscimo das palavras “este repórter” e “às gargalhadas” deixa claro que o autor das mal traçadas linhas é unha-e-cutícula com o entrevistado. Ou seja: é um cara cool, descolado e muito bem relacionado. Dizem especialistas que ego é o centro da consciência inferior (diferente do Eu, que é centro superior da consciência). Quando o ego se submete ao id, aí danou-se. Ele torna-se imoral e destrutivo. E quando se submete ao superego, então, enlouquece de desespero. Se criassem um país do ego, ele se chamaria “Singular”. E Susana Vieira certamente seria a primeira pessoa a baixar por lá. Seria ela a primeira pessoa do singular em pessoa. A revista “Tititi” desta semana traz uma entrevista com a atriz. O título fala por si. “As divas não têm idade”. Não, ela não está falando Marilyn Monroe, Gisele Bundchen ou Salete Campari. A diva a que ela se refere é ela mesma, a primeira pessoa em pessoa, Na entrevista, Susana vai ainda mais longe. Pergunta: “Como encara o fato de ser uma pessoa tão polêmica?”. Resposta: “Sou uma mulher do povo e cheguei aqui com muita humildade”. Tipo assim: aqui onde? Na “Tititi”? No Projac? No salão do Julinho do Carmo? Segue a entrevista. Pegunta: “E o público mais jovem também a assedia?”. Resposta: “Teve um final de semana que vários jovens me cumprimentaram na rua. Estou conquistando esse público agora. Sou abençoada por ver tanta gente diferente que admira meu trabalho”. Por gente diferente leia-se Marcelo Silva, o ex-policial que lutava com a sombra? Ou Sandro Pedroso, o mágico de Oz? Por essas e por outras que Pelé é o cara. Ele descobriu a fórmula perfeita para lidar com isso. Abandou de vez a primeira pessoa do singular. Mais que isso. Se dividiu em dois. Para falar (bem) do Pelé sem constrangimento, ele chama o Edson. E vice-versa.

Siga no contorno
por Zeca Gutierres
Já tem um monte de gente dizendo que vai conferir a exposição “Para Maiores” na galeria Miniloft, que fica na alameda Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo, As obras, como o próprio nome sugere, são de cunho erótico e os artistas são Renato De Cara, Zed Nesti, Roberto Wagner, Daniel Malva (a home do nosso site esta semana), Dadá Cardoso e Florian Raiss, entre outros. Bom, acontece que as imagens só ficam expostas por 24 horas. Depois vão pro acervo da galeria. A disposição dos trabalhos é um ponto inusitado da mostra. Tudo nesta quinta-feira (10/12).

Zed Nesti

Florian Raiss

Frederico Reis

Coletivo-3-D-4

Roberto Wagner
Daniel Malva
Exposição ‘Para Maiores’
Data: 10 de dezembro, quinta-feira
Horário: a partir das 21h.
Local: MiniLoft – Photo & Design Gallery
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 338
Tel.: 2503.9260
Dj: AKA + Boobarella + Giselle Von Eye + Betania Garib

